Brasília, 22 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, fez há pouco, ao proferir aula inaugural do ano letivo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em Brasília, uma avaliação do desenvolvimento da economia brasileira nos últimos 20 anos e as tendências para o futuro.
De acordo com Fraga, nas últimas duas décadas o País viveu uma dupla transição - uma política e uma econômica. Segundo o presidente do BC, o Brasil tinha uma economia muito fechada.
"Tínhamos descontrole macroeconômico e excesso de controle na microeconomia", disse. Segundo Fraga, o País já concluiu boa parte dessa dupla transição.
Ele disse que, com a crise cambial do ano passado, o Brasil optou por um novo regime macroeconômico (o da flutuação cambial) e que essa mudança permitiu à Nação combater duas de suas principais fragilidades: os problemas na área fiscal e a fragilidade e vulnerabilidade do balanço de pagamentos.
Durante a aula, Fraga voltou a afirmar que não discutiria com os alunos a decisão tomada hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que manteve em 19% a taxa de juros básicos da economia, com viés de baixa.
Segundo Fraga, o Copom vem funcionando como um fator de disciplina dentro do Banco Central. "Fazemos uma revisão profunda dos dados da nossa economia ao longo de dois dias; procuramos a partir de base criar as condições para que as metas de inflação sejam atendidas", afirmou.
Segundo o presidente do BC, as mudanças vividas pela economia do País no últimos anos permitem ao governo acreditar que a taxa de crescimento de renda per capita no País seja semelhante ou superior à registrada nos primeiros 80 anos deste século no Brasil, que, segundo ele, eram, em média, de 3% ao ano.
"Os problemas de curto prazo que tínhamos foram resolvidos com a virada na política fiscal e com o câmbio flutuante, o qual nos dá hoje um balanço de pagamentos que não depende de capital de curto prazo para ser financiado", afirmou.
Acrescentou que o capital de curto prazo é, na verdade, uma "absorção de poupança interna" e que, apesar de o passivo externo brasileiro crescer, cresce com recursos compatíveis com a necessidade de desenvolvimento econômico do Brasil.
Segundo Fraga, pelo lado da microeconomia, o governo brasileiro vem trabalhando atualmente para melhorar as condições do mercado de capitais, das áreas de educação e saúde e do setor bancário, o que pode contribuir para um ganho de produtividade no País.
O presidente do BC acrescentou que, se o Brasil conseguir resolver o problema da "atrofia do mercado financeiro", isso permitiria acrescentar de 0,5% a 1% do crescimento da economia anual.

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