São Paulo, 20 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse que o insucesso na venda dos títulos prefixados em leilão hoje ocorreu em razão da situação na Argentina. Segundo Fraga, o valor dos títulos ultrapassava os vencimentos e serviria apenas para afinar a liquidez de curto prazo.
Sobre a Argentina, Fraga afirmou que o país vizinho tem condições de superar suas dificuldades. Fraga disse que não é a primeira vez que a Argentina é submetida a um teste como este e o sistema daquele país está mais preparado para enfrentar os problemas.
Ele disse que o governo argentino trabalha com prazos dilatados, e que o Brasil tem muito a aprender com o vizinho neste sentido. "É um sistema bem capitalizado e bem diversificado." Sobre a influência da Argentina na situação brasileira, Fraga disse que é natural momentos como este terem impacto sobre política econômica brasileira.
Fraga aproveitou para afirmar que os problemas no país vizinho formam um lembrete de que é fundamental persistir no projeto de reforçar os fundamentos econômicos do Brasil para enfrentar essa turbulência e outras que possam vir.
O presidente do BC disse sentir que a resposta que o mercado doméstico vem dando à situação argentina e também à recente decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, de não elevar os juros agora, é uma indicação de que governo está no caminho certo, mas ao mesmo tempo não há espaço para displicência.
Fraga disse que a situação brasileira está boa, mas o quadro ainda é de fragilidade. "É preciso aproveitar esses lembretes", afirmou, referindo-se à crise argentina.
Chile - Fraga disse que não exclui a possibilidade de adotar um modelo como o chileno, ao comentar o controle de capitais externos. Mas acrescentou que o objetivo do governo é ter uma economia que não dependa de um sistema como esse. Até porque, afirmou, um sistema como esse só serve para um período de transição.
Ele acha que para não se depender do capital de curto prazo, é preferível ter uma intermediação financeira bem administrada e ficar atento à curva do cupom cambial. "Temos uma posição bastante pragmática, com viés liberal", disse.
Ele admitiu que essa intermediação pode impor algum tipo de controle, como estabelecimento de reservas. Mas o governo não tem como objetivo um sistema maior, mais amplo de controle.
Fraga reafirmou a tendência de queda de juros. Segundo ele, os resultados fiscais permitem ao governo acenar com taxas declinantes.

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