Brasília, 13 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, volta na quinta-feira (15) ao Senado como primeiro depoente da Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar irregularidades no sistema financeiro do País. A CPI será instalada amanhã (14) de manhã. Seus integrantes - 11 titulares e 7 suplentes - terão como primeiro item da pauta de trabalho a votação do requerimento convocando Fraga e o diretor de Fiscalização do banco, Luiz Carlos Alvarez. O relator João Alberto Souza (PMDB-MA) considera que o depoimento do presidente do BC é "essencial" porque espera receber dele um levantamento sobre os fatos que justificaram a criação da comissão.
Um dos episódios mais suspeitos, na avaliação dos parlamentares, foi a operação de socorro do Banco Central aos bancos Fontecidan e Marka, com a venda de dólares abaixo abaixo da cotação. Em entrevista ao Grupo Estado, Armínio Fraga antecipou que vai entregar à CPI o relatório sobre essa e outras medidas adotadas pelo banco. É a terceira vez que o presidente do Banco Central comparece ao Senado, em 40 dias de gestão.
Ele esteve na Casa para ser sabatinado, para falar sobre a negociação brasileira com os credores externos, acompanhando o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e agora, para depor sobre irregularidades na instituição.
Criada por sugestão do líder e presidente do PMDB, Jader Barbalho -em contrapartida à iniciativa do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), em investigar o Poder Judiciário - a CPI do Sistema Financeiro - ou CPI dos Bancos - tem ocupado um espaço cada vez maior graças à divulgação de novas denúncias envolvendo o Banco Central. ACM reconheceu que a informação de que o ex-dono do Banco Marka Salvatore Cacciola teria dado propina a funcionários da cúpula do banco "reforça a importância da CPI". O senador estimulou novas indagações às autoridades do País, ao confirmar que o ministro Pedro Malan lhe pediu o adiamento da sabatina do ex-presidente do BC, Francisco Lopes. "O ministro realmente pediu, mas não deu as razões e a sabatina foi mantida", disse.
De acordo com o relator da comissão, Chico Lopes e outro ex-presidente, Gustavo Franco, serão os próximos convocados. Lopes, para a CPI se inteirar melhor de sua atuação nos poucos dias em que passou no cargo. Franco, para que ele informe sobre a investigação que teria realizado sobre ilícitos cambiais ocorridos há mais de 10 anos, em que as empresas envolvidas foram multadas em cerca de US$ 500 milhões. O senador João Alberto disse que Gustavo Franco se referiu a esse episódio no seu discurso de despedida do cargo. O relator antecipou que também vai pedir ao Tribunal de Contas da União (TCU) o envio das auditorias que realizou no Banco Central.
Na reunião do líder Barbalho com os peemedebistas integrantes da comissão ficou acertado que o partido vai atuar buscando uma ampla reforma do sistema financeiro nacional. "Não ficará pedra sobre pedra", afirmou um senador, esclarecendo que tudo isso será feito "com a máxima responsabilidade, com maturidade". Segundo o líder, serão solicitados estudos e documentos não apenas do BC, mas de várias outras instituições, como a Bolsa de Mercadorias & Futuro (BM&F).
Também serão convocados os representantes de bancos nacionais e estrangeiros, como Citibank e Bank Boston, entre outros, para que esclareçam sobre a existência de informações privilegiadas no mercado financeiro e sobre os lucros auferidos com a desvalorização do real, em janeiro. O relator disse que, se for necessário, a convocação se estenderá ao ministro Pedro Malan. Segundo ele, decisões como a quebra do sigilo bancário e telefônico de pessoas suspeitas de participar em irregularidades ocorrerão "no tempo certo", quando os senadores julgarem necessário recorrer a essas medidas.

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