Fracassa tentativa de acordo entre empresas de ônibus e motoristas; greve é julgada abusiva
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terça-feira, 06 de abril de 1999
Por Andréa Portella 
São Paulo, 07 (AE) - Fracassou a tentativa de acordo entre empresas de ônibus, motoristas e cobradores sobre a participação dos empregados nos lucros das empresas. Na reunião de conciliação, realizada hoje no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), não houve entendimento entre as partes para suspensão da greve iniciada na terça-feira. A paralisação foi julgada abusiva pelo tribunal.
No segundo dia de greve, aproximadamente 50% da frota deixou de circular e cerca de 2,5 milhões passageiros voltaram a ficar sem condução. Os prejuízos passam de R$ 5 milhões, somando-se os dois dias de paralisação.
Mais uma vez, o rodízio e a Zona Azul foram liberados. Durante a manhã, o congestionamento bateu o novo recorde do ano. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), às 9 horas, foram registrados 116 quilômetros de lentidão na capital paulista. Tiros - Às 11h15, um ônibus da Viação Penha-São Miguel foi atingido por vários tiros. O carro chegava à garagem, no Jardim Dânfer, na zona leste, quando foi baleado por manifestantes. Ninguém ficou ferido. Durante todo o dia, houve 12 depredações de ônibus, o dobro das ocorrências registradas na terça-feira.
À tarde, durante a reunião de conciliação, o juiz José Victorio Moro propôs a nomeação de peritos - dos sindicatos patronal e dos condutores e um terceiro do Tribunal Regional do Trabalho - para que os resultados apresentados pelas empresas para justificar o pagamento da participação nos lucros fossem verificados. Os empresários recusaram a proposta. Insatisfação - Os atritos da categoria com as empresas começaram na semana passada. Motoristas e cobradores ficaram insatisfeitos com o valor que receberiam por participação nos lucros e resultados. Das 54 empresas do sistema, 16 não pagariam nada aos funcionários e apenas uma pagaria R$ 145,00. Ontem, mais seis empresas tinham decidido pagar cerca de R$ 150,00.
O acordo que previa o pagamento foi feito no ano passado e estabelecia um valor máximo de R$ 300,00. A quantia seria paga de acordo com os resultados de cada empresa. Seriam considerados o número de acidentes, de faltas ao trabalho e de carros que quebram no meio do percurso e precisam ser substituídos.
As empresas deveriam divulgar a avaliação desses itens periodicamente, em seus jornais ou em murais. O Transurb, sindicato patronal, informou que isso foi feito. A categoria reclama por não ter tido acesso a esses dados. Criado o impasse, a São Paulo Transporte (SPTrans) propôs na semana passada um valor único para todas as empresas: R$ 150,00. Como não houve acordo, a categoria passou a pedir R$ 200,00. O Transurb não abriu mão do que foi fixado em 1998, aceitando apenas o pagamento proporcional aos resultados de cada empresa.


