Fracassa segunda tentativa de lançamento do Saci
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sábado, 11 de dezembro de 1999
por Júlio Ottoboni, enviado especial 
Alcântara, MA, 11 - Fracassou a segunda tentativa de lançar um satélite a partir de um conjunto totalmente nacional. O segundo protótipo de qualificação do Veículo Lançador de Satélites (VLS) partiu hoje (11), às 16h40, da Torre de lançamento com Satélite de Aplicações Científicas-2 (Saci-2) a bordo e foi teledestruido 200 segundos depois.
Um clima de profundo abatimento tomou conta dos técnicos
engenheiros e militares do Centro de Lançamentos de Alcãntara (MA). "O programa continuará tanto para Aeronáutica como para a Agência Espacial Brasileira, comentou o diretor do programa, brigadeiro Tiago Ribeiro.
O primeiro estágio do foguete funcionou perfeitamente, o que deu um clima festivo à base militar. Porém, 1h20 mais tarde veio o anúncio oficial que o segundo estágio não havia acendido após sua separação e teve que ser explodido pelos responsáveis da missão. Todos os participantes do programa ficaram entristecidos com o que parecia ter sido um lançamento perfeito, e mais tarde se apresentou como uma segunda falha sucessiva do VLS.
O lançador de satélites é o projeto espacial brasileiro mais combatido pelas grandes potências e tem uma história marcada por sucessivos embargos e boicotes. O lançamento custou cerca de US$ 9 milhões. O Saci 2 recebeu investimentos de US$ 1 7 milhões e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) não tem um substituto para as funções cientificas que seriam exercidas por esse equipamento.
Segundo o gerente do Saci, José ¶ngelo Neri, o satélite franco-brasileiro será lançado com o VLS, isto deverá ocorrer entre 18 e 20 meses, mais provavelmente em meados de 2001.
O tempo colaborou para um lançamento perfeito. No pequeno povoado de Alcântara, na Costa do Maranhão, a 80 quilômetros de São Luís, o dia foi de céu claro e com uma brisa suave. Numa velocidade de 7,5 mil quilômetros por segundo o VLS arrancou rumo ao espaço, mas teve sua rota paralisada assim que o defeito foi constatado.
A contagem regressiva teve início às 4h30 da madrugada e foi marcada pelo um clima de grande expectativa. O brigadeiro informou que os destroços do foguete cairam dentro do raio de segurança, no oceano, sem causar transtornos as comunidades que se avizinham com a base.
O foguete que saiu de Alcântara teve seus quatro motores iniciais caidos na região de Parnaiba, a 60 quilômetros da costa, no mar. O segundo estágio dos motores, que apresentou um provável defeito na malha pirotécnica caiu aproximadamente na região de Fortaleza (CE). Junto com ele devem estar o terceiro e quarto estágios além do satélite.
Os helicópteros da FAB estão buscando os fragmentos do VLS, que serão analisados pelos especialistas do CTA - Centro Técnico Aeroespacial. "Agora não dá para falar o que ocorreu, mas o relatório final sairá em 30 dias", disse o brigadeiro Ribeiro.
O Saci 2 levava quatro experimentos científicos, escolhidos pela Academia Brasileira de Ciências, os mesmos que estavam no Saci-1 e mais transponder de coletas de dados ambientais. Os coletores de informações de pesquisa eram o Magnex (experimento sobre o campo géo magnético), Plasmex (estudo sobre bolhas de plasmas), Photoex (fotometro de aeroluminescência na ionofesra) e Orcas (pesquisa de raios cósmicos).
Para o VLS ser qualificado para atuar no mercado internacional, serão necessários dois lançamentos bem sucedidos e sequentes. Os militares responsáveis pelo programa não acreditam na perda de credibilidade do programa espacial brasileiro no exterior. Eles acham que os parceiros do Brasil conseguiram entender que essas falhas são comuns nesse tipo de atividade. O mercado de lançadores como o VLS é estimado em US$ 60 milhões anuais.


