Genebra, 26 (AE-AP) - Os presidentes Bill Clinton, dos Estados Unidos, e Hafez Assad, da Síria, não chegaram hoje (26) a nenhum acordo que permita retomar as conversações de paz sírio-isralenses, interrompidas desde 10 de janeiro, informou o porta-voz da Casa Branca, Joe Lockhart.
Os dois presidentes reuniram-se durante três horas no salão de conferências do Hotel Intercontinental, perto da sede suíça da Organização das Nações Unidas.
O desfecho não chegou a surpreender. Clinton admitia pouco antes do encontro: "As distâncias (entre as partes) não são grandes, mas o caminho é muito difícil." E Assad, por sua vez, voltava a responsabilizar Israel pelo impasse.
Logo cedo, Clinton comunicou-se com o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, por telefone. "As chances de se conseguir um acordo com os sírios para reativar o processo de negociação são de 50%", comentou depois o líder israelense, que participou, em seguida, de uma reunião de seu gabinete.
Os sírios exigem como ponto de partida para o estudo de um acordo um compromisso formal de Israel de retirada de suas forças das Colinas de Golan e restabelecimento das fronteiras existentes entre os dois países em 1967 - das colinas até as margens do Mar da Galiléia. Os israelenses não concordam. Querem as fronteiras estabelecidas durante a ocupação britânica do território (de antes de 1948, quando a região foi invadida pelos sírios) - o que lhes assegura o controle total do manancial de água do Mar da Galiléia, responsável por 40% do abastecimento do país -, pedem também garantias de segurança e a normalização das relações diplomáticas.
"O presidente vai pôr todo seu empenho para limpar o caminho, mas não há nenhuma garantia de que consiga isso aqui", ressaltou a secretária de Estado, Madeleine Albright, que participou da reunião em companhia do enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, Dennis Ross, do conselheiro de segurança nacional, Sandy Berger, e do chefe do gabinete presidencial, John Podesta.
Assad estava acompanhado do chanceler Faruk al-Chara, do conselheiro de segurança nacional Abdul Rauf al-Qasem, e do conselheiro jurídico Riad Daubi.
Depois do encontro que começou com um aperto de mãos entre os dois presidentes, Albright e Al-Chara prosseguiram os debates até o fim da noite. Nenhuma das partes divulgou detalhes da conversação.
O propósito da Casa Branca é obter das partes um compromisso sério de negociação, que desemboque definitivamente num acordo. Clinton quer reunir os dois líderes (israelense e sírio) para obter deles um acordo num prazo entre 30 e 60 dias. "Se a iniciativa de Clinton frutificar, vamos chegar rapidamente à paz", destacara pela manhã o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, sem dar detalhes sobre sua conversa telefônica com o presidente americano.
Os jornais sírios mostraram otimismo em suas edições domingueiras. O diário Al-Thawra, porta-voz do governo, expressou esperança de que "resultados positivos devolvam confiança ao conjunto do processo de paz". E deu destaque para uma declaração do porta-voz presidencial, Jubran Kourich: "A Síria deseja uma paz justa em um sentido amplo e quer cooperar para acabar com os obstáculos existentes." O funcionário de Damasco lembrou que a Síria "aderiu até agora a todas as resoluções adotadas pela ONU sobre a questão".
Coincidindo com a reunião de Genebra, guerrilheiros do Hezbollah (grupo xiita libanês apoiado pelo Irã) voltaram a atacar com foguetes tropas israelenses que ocupam o sul do Líbano e seus aliados libaneses - milicianos cristãos. As forças israelenses responderam, bombardeando acampamentos guerrilheiros. Não há notícia de feridos.