Fracassa encontro de ministros com Itamar
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Por Claudia Carneiro e Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 12 (AE) - O governador Itamar Franco condicionou o entendimento com o governo federal a três medidas consideradas "inegociáveis" pelo Palácio do Planalto. Após um encontro com os três ministros do PMDB, o político mineiro exigiu que sejam suspensos todos os bloqueios de recursos do Estado e que tais medidas de retaliação não sejam repetidas enquanto perdurarem as dificuldades financeiras do estado. O governador também pediu que o governo retire orientação enviada aos organismos internacionais de crédito para que não sejam concedidos novos financiamentos ao governo mineiro e que sejam alterados vários termos do contrato de renegociação da dívida assinado seu antecessor, o ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB).
O encontro do governador com os ministros não teve os resultados pretendidos pelo governo. Durante duas horas de conversa, Itamar Franco pediu que o governo concorde com a moratória que foi decretada em janeiro e lhe dê prazo para o pagamento das parcelas da dívida e que baixe para 7% o limite de comprometimento da receita do Estado com o pagamento da dívida, hoje fixado em 12,5%. "Tentamos, ninguém pode dizer que não fizemos nossa parte, como membros do PMDB e como representantes do governo para o entendimento", disse um dos ministros que vieram à capital mineira, antes de voltar à Brasília.
No encontro com os ministros Eliseu Padilha (Transportes), Renan Calheiros (Justiça) e Ovídio de Angelis (Políticas Regionais), Itamar Franco esteve acompanhado do chefe do seu gabinete civil, Henrique Hagreaves e do secretario de Finanças, Alexandre Dupeyrat. O governador expôs aos emissários do presidente os procedimentos utilizados pela União diante do impasse político e econômico com o governo de Minas e criticou a ação do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Foi a última conversa, o governo cumpriu sua parte", disse um integrante do governo.
Depois da reunião, os três ministros, em entrevista coletiva
demonstraram o fracasso da missão apaziguadora. "Nossa missão era deixar claro para todos que tanto Minas quanto o governo federal querem o entendimento", disse Eliseu Padilha. "Os interesses do Brasil são muito maiores que as divergências pontuais, colocadas durante a conversa e vamos levar ao presidente essas divergências", acrescentou.
"Se for possível vamos chegar ao entendimento, se não for, paciência, ao menos tentamos", declarou Renan Calheiros.
"Temos de escolher entre duas veredas, a que aponta para a distensão e o consenso, o entendimento e a lucidez, e a outra,
que indica o confronto, a radicalização, a guerra".
Enquanto os ministros davam entrevista, o governador Itamar Franco recebeu um grupo de mulheres, que manifestaram apoio. A elas, Itamar disse: "Acabo de receber três ministros do presidente da República e os recebi educadamente, mas disse a eles que não compareço a um encontro com quer que seja enquanto não houver o desbloqueio das contas de Minas. Nunca um presidente da República comunicou a organismos internacionais de crédito os problemas de Estados federados e essa situação há de doer no povo mineiro, mas há de doer sobretudo, nos brasileiros."
Em seguida, Itamar dirigiu-se à outra manifestação em frente ao palácio, liderada por estudantes secundaristas. Em discurso, disse que no momento em que a economia brasileira está sendo monitorada por organismos internacionais é preciso que os jovens "voltem às ruas". As manifestações de apoio a Itamar, que duraram a tarde toda, constrangeram os ministros. "Esta é uma situação que só será resolvida com um gesto político e uma postura magnânima do presidente da República, porque Minas não voltará a ser o que era", declarou o deputado Raul Belem (PFL-MG), aliado do governador.


