Cartagena, 24 (AE-REUTERS) - A conferência promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para definir o Protocolo de Biossegurança fracassou nesta quarta-feira (24) ao não conseguir um acordo entre os países participantes sobre normas para regulamentar o comércio multibilionário de alimentos e culturas geneticamente modificadas.
Nas conversações realizadas em Cartagena, Colômbia, o porta-voz da ONU, Michael Williams, disse que os Estados Unidos, com outros grandes exportadores de grãos, rejeitaram os pedidos feitos por parte de outras nações para que fossem empregados controles mais rígidos sobre os transgênicos.
No fim da conferência de dez dias que reuniu autoridades de 150 países, a ONU informou que outro encontro será agendado dentro de 18 meses para retomar as tentativas de elaborar o pacto que regulamente a importação, exportação e uso dessas culturas.
Grupos ambientalistas acusaram os EUA, líder mundial na indústria da biotecnologia, de sabotar os debates. Perguntado sobre se os delegados dos Estados Unidos tentaram sabotar a conferência, Williams disse: "Estou certo de que muitas pessoas sentem dessa forma, mas a ONU não pode usar esse tipo de linguagem."
O chefe da delegação norte-americana disse antes do prazo final para qualquer acordo, que foi terça-feira à noite, que um dos seus principais objetivos era "evitar interferência indevida no mercado mundial porque este é um acordo tanto comercial quanto ambiental".
Representantes da indústria biotecnológica defenderam durante os debates que esse tipo de alimento é seguro e que culturas transgênicas, de alto rendimento, permitem aos agricultores produzir mais alimentos para uma população que cresce cada vez mais sem invadir terras anteriormente não cultivadas.
Os que criticam o procedimento temem que as sementes geneticamente modificadas possam afetar a saúde humana e causar estragos ao ambiente. O debate ficou dividido entre o Grupo G-77 de países em desenvolvimento e o chamado Grupo de Miami, composto por Estados Unidos, Canadá, Argentina, Uruguai, Austrália e Chile, países que controlam uma grande parcela das exportações de grãos e o mercado mundial de biotecnologia.

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