Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Autoridades de saúde de Foz do Iguaçu estão tentando montar barreiras para impedir a entrada no Paraná, pela fronteira com o Paraguai, de doenças infecciosas como febre amarela, dengue e malária. Devido à falta de campanhas de vacinação em massa e à precariedade de condições sanitárias, a incidência dessas doenças - principalmente as duas últimas - é grande na região de Ciudad del Este, que faz fronteira com Foz do Iguaçu.
No Departamento (o equivalente a Estado) de Alto Paraná, cuja capital é Ciudad del Este, foram registrados desde o início do ano 35 casos de malária e um de dengue. Também havia ontem duas suspeitas de febre amarela no município de Minga Guazú (a 25 quilômetros da fronteira) que, no final da tarde, foram confirmadas como casos de dengue. Em Foz do Iguaçu, já foram confirmados dois casos de malária em janeiro. Não há registro de pessoas infectadas por dengue ou febre amarela.
Como as duas cidades são separadas apenas pelo Rio Paraná, a Fundação Nacional de Saúde (FNS) e as secretarias Estadual e Municipal de Saúde tentam impedir que as doenças cruzem a fronteira. Milhares de turistas e sacoleiros, de todas as partes do Brasil, atravessam diariamente a Ponte da Amizade para fazer compras em Ciudad del Este.
Postos de vacinação contra a febre amarela foram montados nas pontes da Amizade e Tancredo Neves (Brasil-Argentina) e no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu. Até ontem, 1,5 mil pessoas haviam sido imunizadas nesses locais. A vacina também está sendo oferecida nos 18 postos de saúde da cidade.
Uma equipe de 80 agentes está borrifando com inseticida casas e cursos d’água em Foz do Iguaçu. O objetivo é eliminar focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela. A malária é transmitida pelo mosquito anopheles. Com clima quente e muita água (dois grandes rios - Paraná e Iguaçu e seus afluentes - e o Lago de Itaipu), a região fronteiriça é favorável à proliferação desses insetos.
A partir da próxima semana, a 9ª Regional de Saúde vai enviar ao Laboratório Central do Estado, em Curitiba, amostras de sangue coletadas no Paraguai para exames. Com a colaboração, gratuita, os brasileiros tentam ajudar as autoridades paraguaias a detectar com rapidez casos de doenças infecciosas e impedir sua proliferação.
Laudos médicos divulgados ontem pela Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que as quatro pessoas suspeitas de estarem contaminados com febre amarela silvestre no Rio não contraíram a doença. A Secretaria Municipal de Saúde, no entanto, divulgou à tarde a existência de mais um caso suspeito na cidade. Trata-se de B.T.D., de 20 anos, que chegou de Cuiabá no dia 27 e está hospedado no bairro de Santa Teresa, na zona sul. O rapaz, que mora em Cuiabá - área considerada de risco para febre amarela - está passando as férias no Rio.
Já em Campinas (99 quilômetros de São Paulo), o número de casos suspeitos de febre amarela na região saltou de um para cinco entre ontem e anteontem, segundo a Direção Regional de Saúde (Dir-12). Além da suspeita notificada em Campinas na última sexta-feira, mais um caso foi registrado ontem na cidade. Os outros são de Louveira, Santa Bárbara d’Oeste e Jundiaí (sendo dois registros). O aumento do número de casos suspeitos na região tem provocado filas nas unidades que aplicam a vacina contra a febre amarela. (Com agências Estado e Folha)

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