Ney de SouzaMaior experiência com o turismo internacional faz da cidade um destino atraente e baratoFoz tem os melhores preços de hotéis
Dados são dos escritórios regionais da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis
Lúcio Flávio Moura
Especial para a Folha
Foz do Iguaçu está pronta para competir com a maioria dos destinos turísticos e parques hoteleiros do País. A conclusão pode ser tirada depois de se comparar o resultado de um levantamento sobre custos de hospedagem feito pela Folha da Amizade. A cidade paranaense tem as melhores tarifas hoteleiras, tirando como base o preço médio que um turista paga por um apartamento single em diferentes categorias (ver quadro). Os dados foram divulgados pelos escritórios regionais da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis.
Algumas capitais com ampla programação de eventos, filão no qual o trade turístico de Foz deposita as maiores esperanças no futuro, cobram quase o dobro pelo mesmo serviço (caso de Porto Alegre). ‘‘Não é à toa que estamos usando o slogan Tão Próxima, Tão Acessível e Tão Maravilhosa nas nossas campanhas de divulgação’’, comenta Luiz Antonio Rolim de Moura, diretor de Marketing da Foztur.
Segundo Rolim, o slogan resume três qualidades imbatíveis de Foz do Iguaçu. A relativa proximidade com os grandes centros urbanos do País, que torna as visitas em feriados prolongados de baixa temporada mais viáveis; a beleza sem similar das Cataratas e da mata subtropical do Parque Nacional; e a ampla e barata rede hoteleira, esta a vantagem menos explorada nas campanhas.
O coordenador do curso de turismo da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Carlos Moro, lembra que a competição em Foz é maior que nas principais capitais, fruto da grande concentração de hotéis que existe na cidade, que é menor que as concorrentes. ‘‘Mas, é necessário que a taxa de ocupação, baixa a alguns anos, tenha um crescimento mais acelerado’’, explica Moro. ‘‘Em Foz, os hotéis trabalham com um lucro pequeno, e com a demanda em baixa, está politica é suicida a longo prazo’’, analisa.
Outra característica que faz da cidade um destino barato, é a maior experiência com o turismo internacional. Mesmo quando a rede hoteleira era incipiente e pouco se dedicava à divulgação, a localização fronteiriça já permitia a vinda de estrangeiros. ‘‘Na década de 80, quando queríamos trazer argentinos, uruguaios e chilenos, já tínhamos que concorrer com Caribe e EUA, onde estão os hotéis mais baratos do mundo’’, diz Rolim de Moura. ‘‘São Paulo e o Nordeste só chegaram anos depois à este tipo de globalização. Não é exagero dizer que a experiência em Foz pode ser objeto de estudo e aprendizado para outros destinos brasileiros com potencial internacional’’, conclui.
Rolim acredita que a cidade está superando a crise no setor provocado pelo declínio abrupto no turismo de compras. ‘‘Apesar das enchentes na América do Sul e da Copa do Mundo, o volume de turistas deve aumentar 10% este ano’’.
Altino Voltolini, sócio-proprietário do quatro estrelas Recanto Park Hotel, aponta a sólida estabilidade de preços praticados na rede hoteleira de Foz, como um ponto positivo nas negociações com as agências de viagens. ‘‘Se continuarmos crescendo os preços em dólar poderão cair ainda mais’’, avalia. ‘‘Mesmo numa eventual crise, ninguém vai ter coragem de subir preços’’, completa.

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