Foz sediará cooperativa nacional
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sexta-feira, 05 de setembro de 1997
Valmir Denardin 
Ney de SouzaWalter de Barros NegrãoFoz do Iguaçu será a sede de uma cooperativa nacional de sacoleiros. A entidade deverá ser criada até outubro e pretende tirar da informalidade os 13 milhões de sacoleiros em atividade hoje no Brasil. A cooperativa planeja gerar 900 empregos na cidade.
Segundo Walter de Barros Negrão, idealizador da Cooperativa Nacional de Importação e Exportação dos Sacoleiros do Brasil (Conaimexabra), a entidade vai importar as mercadorias diretamente dos países produtores, pagando o Imposto de Importação, e vendê-las aos sacoleiros de todo o País.
Com esse processo, a cooperativa pretende eliminar os intermediários e oferecer produtos mais baratos ao consumidor. Segundo estudo da Associação Brasileira de Sacoleiros (ABS), as mercadorias do sudeste asiático chegam ao mercado de Ciudad del Este custando 120% mais caro do que no país de origem. Negrão prevê que a cooperativa terá condições de reduzir esse ágio para 65%. Os sacoleiros poderão vender, em qualquer cidade brasileira, pelos mesmos preços das lojas do Paraguai.
O objetivo inicial da cooperativa é agrupar 500 mil associados. Para isso, nas próximas semanas será iniciado um processo de filiações, com a distribuição de 500 mil folhetos de divulgação na fronteira Brasil-Paraguai. Sacoleiros de qualquer lugar do País poderão se associar à cooperativa em agências do Banco do Brasil. O preço da taxa de filiação ainda não está definido, mas deverá ficar entre R$ 70,00 e R$ 100,00.
Segundo Negrão, parte do dinheiro dessa taxa será usada para as primeiras compras no exterior. Além disso, a cooperativa pretende obter financiamentos junto a bancos oficiais. A principal vantagem para os sacoleiros será, de acordo com ele, a legalização das mercadorias, sem correr o perigo de perdê-las nas blitze da Receita Federal.
Na opinião do idealizador da cooperativa, o governo brasileiro também tem muito a ganhar com a criação de entidade, já que ela representaria a geração de impostos. A coopertiva vai representar a legalização da atividade de sacoleiro e o combate à evasão fiscal, afirma Negrão. Em contrapartida, a categoria tentará obter a redução do Imposto de Importação, dos atuais 50% do valor valor de cada mercadoria para 30%.
De acordo com o estatuto da Conaimexabra, que está sendo elaborado, não haverá limite no valor das compras feitas por cada sacoleiro na cooperativa, mas será estabelecido um valor máximo unitário de cada produto: R$ 100,00. Isso, segundo Negrão, será uma forma de garantir que apenas os verdadeiros sacoleiros farão compras na entidade.


