Foz do Iguaçu - Representantes do alto escalão da inteligência norte-americana se reúnem hoje em Foz do Iguaçu com representantes de órgãos responsáveis pela segurança nacional. O encontro pode ser considerado um marco na política externa brasileira.
Oficialmente, durante o evento, promovido no Hotel Internacional, serão trocadas informações sobre as investigações acerca de atuação de terroristas na região. A visita dos representantes do alto escalão da inteligência norte-americana ocorrerá depois deles participarem, pela manhã, da reunião do Comando Tripartide, em Puerto Iguazú. O comando é um organismo criado em 1998, voltado ao combate de atividades ilícitas na tríplice fronteira do Brasil, Paraguai e Argentina. Ontem, a comitiva participou de uma reunião em Buenos Aires. Após a passagem por Foz, o grupo irá a Ciudad del Este (Paraguai).
O delegado-executivo da Polícia Federal, em Foz, Marcos Antonio Farias, antecipou que será ''anunciada a falta de indícios que apontem a existência de terroristas na cidade''. Já no Comando Tripartide, o Brasil apresentará dados sobre combate a lavagem de dinheiro, narcotráfico, tráfico de armas, controle aduaneiro e imigração.
A justificativa do Ministério das Relações Exteriores para convidar a delegação liderada pelo coordenador para Contraterrorismo do Departamento de Estado (State Department Coordinator for Counterterrorism), J. Cofer Black, é ''fortalecer a cooperação entre os países'' e apresentar ''um diagnóstico com os reais problemas da região corretamente dimensionados''.
O objetivo é mudar a opinião da Casa Branca, que mantém suas acusações de focos terroristas em Foz e agora envia técnicos a fronteira. Além de Black, integram a comitiva o seu antecessor e atual secretário assistente para segurança diplomática, Francis Taylor, e o subcomandante do Comando Sul dos EUA, general-brigadeiro Wood Bury Burgess.
Aos 53 anos, Black é lenda na Agência de Inteligência Central (CIA, em inglês Central Intelligence Agency), onde iniciou seu vínculo em 1974. Atribui-se a ele, por exemplo, a prisão, em 1994, de Carlos, o Chacal, o mais famoso terrorista internacional antes da era Bin Laden.
Do lado brasileiro, estarão representantes de alto escalão do Ministério das Relações Exteriores, Polícia Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), além de autoridades policiais estadual e municipal.

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