Foz investiga quatro medicamentos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de julho de 1998
Edna Mendes 
A Vigilância Sanitária de Foz do Iguaçu está investigando quatro tipos de medicamentos suspeitos de falsificação que foram recolhidos anteontem à tarde, de usuários e de farmácias da cidade. Esses medicamentos não fazem parte da lista de produtos suspeitos divulgada pela Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária.
Foram apreendidos de uma farmácia hospitalar 20 frascos do antibiótico Ceftrioxoma injetável. Segundo os médicos do hospital, cujo nome não foi divulgado, o medicamento não apresentava eficácia terapêutica e por isso foi levantada a suspeita de falsificação. O mesmo motivo teria levado dois usuários dos medicamentos Ancorom, para problemas cardíacos, e o do anti-alérgico Meticosten a procurar a Vigilância Sanitária para reclamar da falta de melhora no estado de saúde após longa utilização desses medicamentos. A Vigilância Sanitária também suspeita do número do lote de fabricação dos produtos. Eles possuem apenas quatro dígitos, quando o normal seriam seis dígitos.
Além dos medicamentos industrializados com suspeita de falsificação, foram recolhidos ainda 32 unidades do Chá Chileno, produto natural usado para problemas digestivos, fabricado pelo Laboratório Catarinense. O próprio fabricante teria comunicado a Vigilância Sanitária da possibilidade de falsificação do produto. Os frascos apreendidos chamaram a atenção por causa da embalagem que difere muito das originais.
De acordo com o Setor de Serviços e Produtos da Vigilância Sanitária, o órgão está encontrando dificuldades para fazer contatos com os fabricantes dos medicamentos. Na tentativa de fazer ligações telefônicas com os laboratórios para constatar a fraude dos lotes suspeitos, os funcionários da Vigilância Sanitária ouvem apenas uma gravação do Serviço de Atendimento ao Consumidor.
Os medicamentos industrializados já foram enviados ao Laboratório Central do Estado (Lacen) para análises, enquanto que o Chá Chileno deve ser encaminhado a Vigilância Sanitária, em Curitiba.
Segundo coordenador do setor, Antonio Vicente Duarte, a população de Foz precisa ficar em alerta no momento de adquirir medicamentos, mas não há motivos para pânico. As suspeitas de falsificação encontradas na cidade, ainda não são muito preocupantes. É natural que as pessoas estejam com medo, mas ninguém deve se apavorar, disse.
Desde o início do mês, 18 técnicos da Vigilância Sanitária estão fiscalizando farmácias da cidade com a finalidade de inspecionar os 32 medicamentos suspeitos de falsificação, que foram divulgados pela Vigilância Sanitária Estadual. A fiscalização não tem data para terminar.
No início da semana, dois vidros de Androcur, usado para câncer de próstata, pertencentes a um lote falsificado, foram apreendidos em Foz do Iguaçu. Na embalagem do medicamento consta que o produto faz parte do lote 351, que ainda não foi fabricado pelo Laboratório Shering do Brasil.


