Foz do Iguaçu - O município que está sediando o maior evento de segurança pública da América Latina pode servir de exemplo para outras cidades brasileiras em políticas locais de prevenção e combate ao uso e comércio de drogas, especialmente as que fazem fronteira e que enfrentam problemas com o narcotráfico. Foz do Iguaçu é o primeiro município do País a criar uma Secretaria Antidrogas. O assunto foi tratado em um dos painéis da 5 Conferência Executiva de Segurança Pública para a América do Sul, aberta anteontem.
''Foz do Iguaçu sofre porque somos rota do narcotráfico. Temos problemas gravíssimos de criminalidade e somos uma das cidades mais violentas do Brasil, talvez a mais violenta'', relatou o secretário Antidrogas de Foz do Iguaçu, José Elias Aiex Neto. Segundo ele, em 2004, foram registrados 295 homicídios no município, o que dá uma média de 98,3 mortes para cada 100 mil habitantes. Do começo do ano até a semana passada, já foram contabilizadas 216 mortes violentas, ou 72 homicídios por 100 mil habitantes. A média nacional é de 27 homicídios por 100 mil habitantes.
Aiex Neto destacou que, pelo menos, 80% dos homicídios registrados em Foz do Iguaçu estão ligados ao narcotráfico e a faixa etária da maioria das vítimas é de 16 a 25 anos. Outro levantamento feito pela secretaria, aponta que cerca de 45% dos detentos da Penitenciária Estadual, em Foz, foram condenados por algum envolvimento com o tráfico de entorpecentes. No ''cadeião'' - como foi apelidada a maior cadeia pública de Foz do Iguaçu, hoje com cerca de 840 presos -, 80% das mulheres detidas serviam de ''mulas'' para traficantes. ''Para a cidade é uma realidade trágica. É o preço que pagamos por ser porta de entrada de drogas'', avaliou o secretário, referindo-se à fronteira com o Paraguai, de onde vem a maior parte da droga comercializada no Brasil.
* A repórter viajou a Foz a convite da organização do evento.

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