Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Representantes de mais de 20 entidades aprovaram ontem, por unanimidade, documento em que exigem a construção de um presídio em Foz do Iguaçu. A Cadeia Pública local – única unidade prisional do Extremo-Oeste do Estado – tem problemas estruturais e está superlotada. Na última quinta-feira, uma rebelião resultou na morte de um policial e ferimentos em três detentos.
Participaram do encontro de ontem, realizado na Câmara Municipal, representantes da Casa, da prefeitura, das polícias Civil, Militar e Federal, da Receita Federal, associações comunitárias, além de juízes e promotores. O documento será enviado ao prefeito Harry Daijó (PPB) e aos secretários estaduais de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, e Justiça, José Tavares.
A construção de um presídio em Foz do Iguaçu já tem até verba destinada pelo governo federal. A unidade deve contar com recursos da ordem de R$ 7 milhões. A prefeitura, no entanto, protela desde o início do ano a doação de um terreno para a instalação do complexo. ‘‘Agora teremos como cobrar da prefeitura a destinação dessa área’’, afirmou o presidente da Câmara, Vilmar Andreola (PSDB), que presidiu o encontro de ontem.
Ao relutar na doação do terreno, Daijó vinha atendendo à pressão de alguns grupos econômicos da cidade – como hoteleiros, donos de agências de viagens e outros comerciantes. Eles alegam que a construção de um presídio poderia afetar a imagem turística de Foz do Iguaçu, um dos principais pólos de atração de visitantes no Brasil.
De acordo com esse raciocínio, o presídio atrairia a Foz as famílias dos presos, o que poderia aumentar os índices de criminalidade da cidade. Segundo Andreola, uma pesquisa apontou, no entanto, que 87% dos presos da cadeia de Foz são moradores da cidade. O grupo contrário defende que o presídio seja construído em algum município do Extremo-Oeste próximo a Foz do Iguaçu.
Inaugurada em 1992 para abrigar 168 presos, a Cadeia Pública tinha ontem 367 detentos. Desse total, cerca de 160 já são condenados e deveriam estar cumprindo pena em um presídio. Pelo projeto, o presídio deverá ter capacidade para 200 condenados. A cadeia deverá ser reformada para abrigar os detentos que ainda não foram julgados, como prevê a lei penal.
Ao longo de sete anos, a cadeia de Foz do Iguaçu viveu uma rotina de fugas. Isso graças à superlotação e a uma segurança deficiente. Na dia da rebelião, apenas sete pessoas faziam a segurança no local.Cerca de 20 entidades aprovaram por unanimidade documento com a reivindicação uma semana após rebelião que deixou um morto e três feridos
Arquivo FolhaTENSÃOA Cadeia Pública, palco de uma rebelião semana passada, tem 367 detentos, sendo 160 já condenados

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