Foz é líder na recepção a estrangeiro
Foz é líder na recepção a estrangeiro
Segundo levantamento da Embratur com novo método, em 98 cidade superou Rio, São Paulo e Salvador
Edna Mendes
Foz do Iguaçu é a grande beneficiada com o novo método de contagem de turistas estrangeiros adotado pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Um estudo realizado pelo órgão apontou a cidade com a que mais recebeu turistas estrangeiros em 1998.
De acordo com os dados divulgados pela Embratur, no ano passado Foz do Iguaçu recebeu 1,6 milhão de turistas estrangeiros, o que corresponde a 30% do total de visitantes de outros países que vieram ao Brasil. Com isso, ultrapassou outros grandes centros turísticos, como Rio de Janeiro (27%), São Paulo (26%) e Salvador (6%).
Na pesquisa, realizada em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a metodologia usada inclui, além dos turistas que viajam de avião, visitantes que atravessam as fronteiras por via terrestre.
Para realizar o estudo, o instituto usou os mesmos métodos utilizados por órgãos europeus para contabilizar estrangeiros que entram naqueles países. A Organização Mundial de Turismo (OMT) passa a considerar turista o visitante que permanecer em outro país por, pelo menos, 24 horas.
Localizada na fronteira mais movimentada da América do Sul - Brasil, Paraguai e Argentina -, com um intenso intercâmbio comercial, Foz recebe com regularidade argentinos, paraguaios, uruguaios e chilenos, que usam as pontes da Amizade e Tancredo Neves (que ligam, respectivamente, o Brasil ao Paraguai e à Argentina) para entrar no País. No método antigo da Embratur, esses estrangeiros não eram computados.
É isso que precisa ser levado em consideração, já que muitos turistas estrangeiros ficam em Foz por pelo menos um dia e, depois, seguem para outros destinos do interior e do litoral brasileiro, explicou à Folha Caio Luiz de Carvalho, presidente da Embratur.
O presidente da Foztur (órgão oficial de turismo no município), Miguel Sória, acredita que o estudo feito pela Embratur pode impulsionar o turismo em Foz. Essa pesquisa é um ponto a favor da cidade e prova que a queda no turismo não afetou a procura de estrangeiros pela região. Para nós, apenas o turismo de compras caiu. Esse estudo é algo positivo nesses tempos difícieis porque vai ajudar ainda mais na divulgação do turismo local.
No ano passado, o Parque Nacional do Iguaçu, mantido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), recebeu cerca de 350 mil turistas estrangeiros. A reserva, a mais lucrativa do País, abriga as Cataratas do Iguaçu.
Esse número difere muito do número da Embratur, que é de 1,6 milhão. Talvez o estudo tenha levado em conta os estrangeiros que entram todos os dias na cidade, por ela ser fronteriça com Paraguai e Argentina, e que não visitam as Cataratas , diz Júlio Gonchorosky, diretor do parque.
Um exemplo da alta na procura de turistas estrangeiros por Foz foi o réveillon de 98. Os principais hotéis da cidade ficaram lotados. De acordo com dados do Sindicato dos Hotéis, a ocupação média durante as festas de final de ano foi de 95%, um acréscimo de 10% em relação ao mesmo período de 1997.
O número de diárias no setor turístico também aumentou. O tempo médio de permanência na cidade subiu de uma variação de três a quatro dias para um período de cinco a sete dias. Segundo o presidente do sindicato, Carlos Tavares, um dos motivos que ajudou a aumentar a procura por Foz foi a queda de cerca de 10% no preço dos pacotes.
Para garantir bons serviços e conquistar o consumidor estrangeiro, os grandes hotéis de Foz do Iguaçu estão remodelando suas dependências, investindo em tecnologia e ampliando a divulgação junto a operadoras de viagens de outros países.





