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VACINAÇÃO -

Foz do Iguaçu recebe mais vacinas para cinturão imunológico

Ministro da Saúde garante em Foz do Iguaçu que Tríplice Fronteira tem "atenção especial" da pasta

Vitor Ogawa - Grupo Folha
Vitor Ogawa - Grupo Folha

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta terça-feira, em Foz do Iguaçu (Oeste), durante a campanha de vacinação contra a Covid-19, que o foco da pasta está hoje voltado para a ampliação da vacinação no país e que a região da Tríplice Fronteira recebe uma "atenção especial" do governo. A preocupação está ainda maior, aponta, por conta do aumento de casos confirmados da variante delta no Estado.

 

De acordo com Queiroga, variante delta é desafio para sistemas de saúde do mundo inteiro
De acordo com Queiroga, variante delta é desafio para sistemas de saúde do mundo inteiro | Gilson Abreu/AEN
 


“É uma estratégia para que se possa conter variantes. É preciso criar uma espécie de cordão epidemiológico para evitar que variantes que vêm de outro país possam chegar ao Brasil. Há uma atenção especial às nossas fronteiras secas aqui em Foz do Iguaçu”, destacou. Ele, no entanto, destacou a adoção de barreiras.


“Nós sabemos que os cidadãos transitam livremente em nosso país e naturalmente que os cuidados são para todos. É impossível exigir o exame RT- PCR com 78 horas de antecedência para cidadãos que moram no Paraguai ou àqueles que moram na Argentina. É uma situação em que nós temos que conviver com ela”, apontou. 

  

Questionado sobre a possibilidade da imposição de quarentena para quem vem de fora, Queiroga explicou que, no Brasil, todos que entram pelos aeroportos precisam trazer o resultado do exame RT-PCR realizado 72 horas antes. “Os cidadãos do Reino Unido, da Irlanda, da África do Sul e da Índia não podem entrar no país. Essa é a posição do país nesse momento”, declarou. 


Queiroga também comentou sobre a possibilidade de a vacinação com Pfizer e AstraZeneca ser antecipada por causa da variante delta. “Não há evidências de que diminuir o intervalo melhora a eficácia da vacinação. É possível que esse prazo seja reduzido para 21 dias, mas isso não é uma posição do Programa Nacional de Imunização. É necessário que uma câmara técnica avalie e tome uma decisão e ela é baseada em critérios epidemiológicos. São critérios técnicos para que essa política possa ser posta em prática no país todo de maneira homogênea”, declarou. 


“Nós temos pouco mais de 100 casos da variante delta e isso só foi possível graças à eficiência da vigilância em saúde no Brasil. Naturalmente esses casos estão isolados bem como seus contatos para evitar uma propagação comunitária.” Segundo ele, essa nova variante é um desafio ao sistema de saúde, não só o brasileiro, mas no mundo inteiro.


CEPA NO PARANÁ

A celeuma em torno da variante delta ocorre porque nos EUA e na Europa, que já tinham apresentado queda dos casos de Covid-19, voltaram a registrar aumentos. Na segunda-feira (19), a Sesa (Secretaria da Saúde do Paraná) confirmou mais quatro casos da variante no Estado, dos quais dois resultaram em mortes, mais precisamente na área da 2ª Regional de Saúde de Curitiba.

 

Segundo a Sesa, a transmissão ainda é considerada local e os técnicos da Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde e da Sesa estão em avaliação permanente sobre o cenário da transmissão da variante delta.


“O Paraná está atento à transmissão da variante, considerada de atenção; desde os primeiros casos acompanhamos com investigação da rede de contatos dos casos confirmados e com a recomendação de isolamento destes casos como forma de contenção. A investigação foi ampliada há dez dias,  com a participação de equipes do Ministério da Saúde, do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde (EpiSUS), que estão pesquisando minuciosamente a rede de contatos dos casos secundários a até terciários dos confirmados”, explicou o secretário da Saúde do Paraná, Beto Preto.


A região de Foz do Iguaçu recebeu 37 mil doses extras para o avanço da campanha e a ampliação da faixa etária na região de fronteira. O envio atendeu a uma solicitação do prefeito Chico Brasileiro, por meio da FNP (Frente Nacional dos Prefeitos) e do governo do Estado, que articulou junto ao Ministério a remessa dos imunizantes. Além de Foz do Iguaçu, os municípios de Guaíra, Barracão e Santo Antônio do Sudoeste receberam as doses.


Sobre o lote extra de vacinas recebidos por Foz, o prefeito Chico Brasileiro (PSD) afirmou que construir um sistema de saúde na fronteira é um "grande desafio". "Controlar doenças na fronteira é um desafio muito maior. Por isso a nossa vigilância epidemiológica trabalha em parceria com o Paraguai. Essa é uma política acertadíssima e possibilita que evite essa alta transmissão para o Brasil", destacou.


PEQUENAS ONDAS

Para Flávia Cunha Gomide Capraro, infectologista na Hospital Nossa Senhora das Graças e profissional de prevenção de infecções hospitalares do Hospital Sugisawa, em Curitiba, os novos casos indicam que a variante delta já está circulando por aqui. “Acho que podemos ter algumas pequenas ondas, sim.  Honestamente não sei se é diferente em termos de disseminação ou gravidade, acho que não”, declarou.


Segundo ela, somente o fato da pessoa estar vacinada não basta para evitar a infecção. “Não basta estarmos vacinados para tirarmos as máscaras. Precisamos que uma proporção considerável da população esteja imunizada, reduzindo a circulação do vírus”, recomendou.


Confrontada com a informação de que 83% dos casos de Covid-19 nos EUA são relacionados à variante delta, a infectologista afirmou que é preciso averiguar se as pessoas que estão pegando essa cepa nos EUA são vacinadas ou não. “Tem muita gente lá que não quer tomar a vacina”, destacou.

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