Foz do Iguaçu ganha destaque no hipismo
Cidade combina bom desempenho de atletas, qualidade do trabalho de criadores e instrutores e realização de provas internacionais
Flávio Moura
Especial para a Folha

Ney de Souza
Lúcia Santa Cruz da Mota participou das
Olimpíadas de BarcelonaÚnico esporte cuja glória olímpica é dividida entre o homem e o animal, o hipismo está virando moda no Brasil. A surpreendente medalha de bronze obtida pela equipe brasileira nos Jogos Olímpicos de Atlanta e a recente vitória do cavaleiro brasileiro Rodrigo Pessoa na Copa do Mundo da modalidade, trouxeram prestígio ao esporte que possui, segundo a Confederação Brasileira do esporte, 5 mil praticantes no País. O esporte é muito mais difundido na Europa. A Alemanha, por exemplo, conta com 780 mil cavaleiros.
Foz do Iguaçu é um exemplo do crescimento do número de pessoas envolvidas com a atividade, que vão desde criadores, tratadores, atletas, até os funcionários do clube hípico. Além da Copa Casino Iguazú - evento dos mais importantes no calendário hípico brasileiro, um dos responsáveis por colocar a cidade no mapa do hipismo é o criador Roberto Daccache, proprietário do Haras Cataratas, especializado na raça BH.
A popularização da raça gaúcha BH (Brasileira de Hipismo), uma miscigenação de raças americanas e européias, agitou o mercado nos últimos anos e deu nova perspectiva aos interessados em comprar cavalos para salto. A raça, que há dois anos ajudou o País a conquistar uma medalha olímpica, é campeã de vendas em concursos para iniciantes. Um potro de cinco anos custa de R$ 7 mil a R$ 10 mil, dependendo da sua performance. ‘‘Mas é um investimento que você desfruta por muitos anos’’, salienta Roberto Daccache. Segundo o criador, um cavalo criado com todos os cuidados pode permanecer competindo por até 20 anos.
Ney de Souza
O criador Roberto Daccache é
especializado na raça BH
Os cavalos de Daccache, criados em uma área de 60 hectares no município de Foz, podem ser apreciados todos os dias nos treinos e em competições estaduais e nacionais, montados, principalmente, por iguaçuenses. Os resultados começam a aparecer, e a esperança do criador é que chegue logo a hora de um cavaleiro da cidade se destacar nacionalmente. ‘‘O Felipe Juarez de Lima poderá ser um grande cavaleiro’’, prevê Dacacche.
Felipe, de 20 anos, venceu duas provas do Concurso Estadual da quarta edição da Copa Casino Iguazu, uma das competições hípicas mais importantes do País. Os alunos Bruno Barbiero, Paula Tiemesmann e Fabrício Fernandes também venceram na competição. O desempenho animador é fruto de um trabalho de anos, aperfeiçoado por clínicas ministradas pelos cavaleiros mais importantes da atualidade.
Lúcia Santa Cruz da Mota foi um dos nomes que trouxeram a Foz a experiência de participação em torneios internacionais como exemplo para noções mais abrangentes sobre a atividade. ‘‘Participei das Olimpíadas de Barcelona e para chegar neste nível é importante que o atleta estude toda a dinâmica necessária para a harmonia de um conjunto’’, aconselha Lúcia. Para ela, a idade indicada para se começar na modalidade é oito anos. ‘‘Com uns 22 anos, o lastro do talento já está definido’’, avalia. Ela lembra que mesmo o atleta alcançando esta idade sem apresentar um alto rendimento, a dedicação não terá sido em vão. ‘‘Saltar é um exercício que exige serenidade e auto-controle e a vantagem é que se pode fazer isto pelo resto da vida’’, frisa.
O professor de hipismo Ari Moreira, 37 anos, trabalha há 10 anos com crianças e adolescentes no Clube Hípico de Foz. Hoje estão matriculados 80 alunos na escolinha. ‘‘Creio que apenas uns 20% continuarão saltando depois de adultos’’, arrisca o professor. Entretanto, Ari Moreira, ressalta a capacidade de transformação de comportamento que o hipismo oferece. ‘‘O cavalo torna seu condutor ao mesmo tempo mais humilde e mais corajoso’’, garante.
Os iguaçuenses dominaram os concursos estaduais de saltos e os brasileiros venceram as provas internacionais. Os 10 mil espectadores que assistiram a quarta edição da Copa Iguazú de Hipismo, realizada entre 30 de abril e 3 de maio, ficaram com a impressão que o esporte tem um presente sólido no País e um futuro muito promissor em Foz do Iguaçu.
Os 250 conjuntos inscritos disputaram 15 provas. Os concursos estaduais de saltos foram vencidos por cavalos de um haras da região montados por atletas revelados pela escolinha do Clube Hípico de Foz. Nas provas internacionais, os conjuntos chilenos, venezuelos, argentinos e uruguaios voltaram sem nenhum troféu na bagagem. Os brasileiros confirmaram o favoritismo, embora o maior nome da competição, Vítor Alves Teixeira, não tenha tido o desempenho esperado. Os organizadores homenagearam a Folha do Paraná, que ganhou o nome da prova nº4 da Copa.
Serviço:
O Clube Hípico de Foz do Iguaçu fica na Estrada Velha das Cataratas, Km 10 - Fone:(045) 574-2009. As aulas de hipismo custam R$ 100 por mês. As matrículas estão abertas ao preço de R$ 20. O clube fornece montaria e apetrechos, exceto os itens de segurança do cavaleiro (capacete e botas).

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