Em uma semana foram registrados mais 90 casos
Ney de SouzaFOCO DO PROBLEMAA técnica em enfermagem Ruth Ferreira dos Santos, que contraiu dengue há três meses: contaminada por mosquitos criados no quintal
De Foz do Iguaçu

O número de casos de dengue subiu de 40 para 124 na última semana em Foz do Iguaçu. Destes, 90 pessoas contraíram a doença na cidade e outros 34 foram contaminados no Paraguai. A 9ª Regional de Saúde registrou ainda o atendimento a 54 paraguaios que tiveram a doença confirmada.
O surto está atingindo também os municípios da região. Santa Terezinha de Itaipu (a 23 quilômetros de Foz) detectou três casos nos últimos dias, sendo dois autóctones (contraídos na cidade) e um importado. Medianeira (65 quilômetros) confirmou a primeira incidência da doença.
A técnica em enfermagem Ruth Ferreira dos Santos, 35 anos, contraiu dengue há três meses e ainda apresenta os sintomas (manchas avermelhadas, febre, dor nas articulações, sobre os olhos, abdominais, fraqueza e a sensação de que os ossos estejam quebrados). Ela acredita que tenha sido contaminada na garagem de casa, onde ficam empilhadas toras de madeira cobertas por uma lona preta. ‘‘Quando chovia, a cobertura de plástico ficava cheia de poças de água. E, depois da visita, os técnicos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) descobriram que o foco do mosquito se formou ali mesmo’’, conta.
Como para a dengue não existe medicamento específico, o tratamento se resume ao repouso, ingestão de líquidos e ao controle dos sintomas através de analgésicos e antitérmicos. ‘‘Oito dias depois de picada, passei a sentir os sinais da doença. Procurei o médico e constatei que estava com dengue. Além de mim, minha irmã, que passou alguns dias em casa, também contraiu a doença’’, explica.
Preocupada com a possibilidade de uma epidemia na região por causa do grande número de casos confirmados, a Vigilância Sanitária (VS), ligada à Secretaria Municipal de Saúde, está intensificando a campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
A partir deste sábado, cerca de 150 pessoas vão estar participando e auxiliando um mutirão nos bairros de Foz do Iguaçu, na tentativa de acabar com os focos do mosquito. O ‘‘Dia do Impacto’’, como é chamado o projeto, envolve técnicos e funcionários da Funasa, associações de moradores e escolas.
Para a diretora da VS, Aparecida Maria Steinmacher, o objetivo da campanha é o de conscientizar as comunidades fazendo com que elas percebam a importância de se manter o índice de infestação do mosquito sob controle. ‘‘Queremos envolver principalmente a população destes bairros, já que o combate ao aedes começa em casa, com a limpeza de quintais e terrenos baldios’’, instrui Aparecida Maria Steinmacher.
Conforme dados da Funasa, a incidência aceitável do Aedes aegypti é de 5%. Em Foz do Iguaçu, a média é de 20%, chegando a 30% em alguns bairros. Dados comparativos mostram que na Argentina, o índice chega a 40%, e no Paraguai, ultrapassa os 50%.
A proximidade com as cidades paraguaias, onde o número de casos de dengue pode ser superior a 3,2 mil, preocupa as autoridades sanitárias brasileiras. Além do Rio Paraná, fronteira natural entre Brasil e Paraguai nesta região, o trânsito intenso de pessoas que atravessa a Ponte da Amizade, entre os dois países, já foi responsável pelo registro de 34 dos casos confirmados em Foz.
Órgãos sanitários brasileiros estão se mobilizando para auxiliar o combate à dengue no Paraguai. Seis caminhões pulverizadores foram emprestados pela Funasa e mais quatro toneladas de inseticida doadas ao país vizinho.

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