Foz decreta estado de atenção por dengue
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Foz do Iguaçu - A Prefeitura de Foz do Iguaçu (Oeste) decretou ontem estado de atenção contra a dengue. A medida foi tomada depois que a administração municipal foi notificada pelo Ministério da Saúde. O órgão federal aponta que o município deixou de cumprir, desde 2011, acordos previstos no Código de Saúde do Paraná, como manutenção de um número mínimo de agentes e de visitas nos imóveis da cidade. A distribuição de 80 mil frascos de inseticidas aerosol, há dois anos, também foi citada na notificação. O município tem 15 dias (a partir de segunda-feira) para apresentar um plano de combate à dengue, sob pena de multa se as ações não forem concretizadas.
Segundo o prefeito Reni Pereira (PSB), um gabinete de ação, centralizado na Guarda Municipal, foi criado. A Defesa Civil passou a coordenar os trabalhos e a distribuição das tarefas. Quem precisar de apoio no combate à proliferação do mosquito Aedes aegypti ou tiver alguma denúncia de descarte irregular de lixo deve acionar a Prefeitura pelo telefone 199. A Secretaria de Obras e a Sanepar já começaram a mapear bairros que necessitam de atenção especial. Fossas fora do padrão exigido por lei foram encontradas e deverão ser adaptadas para evitar a proliferação do mosquito.
Nos próximos dias, a Prefeitura vai notificar os proprietários de casas, construções abandonadas ou desocupadas e terrenos vagos para que mantenham os imóveis limpos. Os donos terão sete dias para fazer a limpeza e dar a correta destinação aos resíduos. Em caso de não cumprimento, os fiscais farão o auto de infração com emissão de multa e cobrança da taxa de limpeza. O valor da multa será dobrada em caso de reincidência. Dos 2.952 casos confirmados no ano em Foz, 2.932 são autóctones e 20, importados. Duas mortes foram registradas no período.
O último Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), divulgado em julho, apontou taxa de 7% no município. O aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de até 1%.
A enfermeira Mara Cristina Ripoli Meira revelou que, em reunião de emergência, servidores de todas as secretarias foram convocados a integrar o mutirão. Amanhã, secretários e diretores devem apresentar propostas para o combate à doença. A administração cogita até acionar o Exército para impedir o avanço da doença.
Mara diz que toda a preocupação se dá em razão de dois fatores: a adaptação do mosquito no inverno e a circulação do sorotipo 4 na cidade. "Apesar de poucos, os casos confirmados da doença não cessaram. Como todos estão suscetíveis ao tipo 4 da dengue, o estrago pode ser grande", advertiu. O Setor de Epidemiologia registrou seis casos no mês passado e dois este mês. "O ciclo está em declínio, mas se os focos não forem eliminados, as consequências serão graves no verão", completou a enfermeira.
Falta de agentes
De acordo com o coordenador do Centro de Zoonoses, André de Souza Leandro, o município dispõe de 93 agentes de endemias, bem abaixo do número considerado ideal, que é de 180, de acordo com o diretor da 9ª Regional de Saúde de Foz do Iguaçu, Ademir Ferreira de Souza. O Ministério da Saúde preconiza um agente para cada 800 imóveis. Ao todo, são 110 mil em Foz do Iguaçu. Para atender as exigências, a administração planeja a contratação imediata de 90 profissionais em regime de urgência para compor o quadro.


