São Paulo, 12 (AE) - Ensinar crianças a ver a realidade através de uma lata de tinta transformada em câmera fotográfica. Essa é a proposta do Projeto Photo da Lata, que o fotógrafo paulista André François levou hoje ao Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A idéia é difundir o projeto entre comunidades carentes em áreas de preservação ecológica. "Ver o mundo em que se vive é o primeiro passo para modificá-lo", diz François.
A idéia surgiu em 1995, quando François captava fotos para um livro em São Tomé das Letras (MG) e as crianças passaram a seguí-lo pela cidade. François resolveu ensiná-las a fotografar com uma técnica que não dependesse de equipamentos caros e sofisticados.
Recorreu a uma lata de tinta forrada com cartolina escura e papel fotográfico. Um pequeno orifício numa das extremidades permite a entrada da luz, que se fixa no papel, formando a imagem. Depois, criou o projeto, que oficialmente começa em fevereiro, no Parque Nacional das Emas, em Goiás, mas teve dois núcleos experimentais no Estado de São Paulo, em Socorro, no interior, e na Lapa, zona oeste da capital.
"Pensei que não fosse possível fotografar com a lata: só acreditei quando vi", disse o estudante Helynel Angelo, de 13 anos, que participou do projeto hoje, no Ibirapuera. Vivian Gonçalves, de 14 anos, acredita que, mesmo podendo comprar um equipamento profissional, continuará a fotografar com a lata. "É mais original; não largo por nada."
Na fase brasileira, que vai até maio de 2001, um ônibus transformado em laboratório fotográfico vai percorrer 11 comunidades. Uma equipe de psicólogos, professores, biólogos, geógrafos, sociólogos, médicos, enfermeiros e comunicadores seleciona o local de atuação e, em parceria com a comunidade, programa o curso, com um mês de duração. Segundo o coordenador científico do projeto, o psicólogo Ricardo Sebastiani, a intenção é ensinar 1,3 mil crianças e adolescentes e formar até 75 educadores. O ônibus deverá percorrer o mundo, terminando a viagem na Argentina, em dezembro de 2005, com 170 mil quilômetros rodados. "Mas, se não conseguirmos patrocínio, o projeto pára", diz François, que investiu R$ 100 mil na iniciativa.

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