Fóssil descoberto no Acre é de um boto
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Edmilson Ferreira (especial para a AE) 
Rio Branco, 21 (AE) - Uma mandíbula gigante encontrada em 1998 na Cachoeira do Bandeira, em Assis Brasil (a 200 quilômetros ao sudeste de Rio Branco) foi a princípio estudada como parte do fóssil de um jacaré por pesquisadores do Departamento de Paleontologia da Universidade Federal do Acre (Ufac) . Esta semana, no entanto, o paleontólogo Jonas Filho descartou essa possibilidade e diz que o fóssil é de um boto que viveu há cinco milhões de anos na região que hoje é o Acre.
Os paleontólogos chegaram a batizar o fóssil de Octodontis Puruensis, catalogando-o como uma espécie nova de jacaré. "Esse boto teria vivido com as espécies existentes atualmente mas há cinco milhões de anos", explicou o pesquisador o Edson Guilherme, que participou da expedição. Existem duas raças de boto na Amazônia. Pelos rios do Acre é encontrado apenas o boto cinza. O animal viveu no Mioceno Superior, fase da Pré-História marcada pela formação da Cordilheira dos Andes e dos primeiros encontros de água que hoje podem representar parte da bacia hidrográfica do Acre.
O fóssil do boto está sendo a principal atração entre as cinco mil peças da exposição aberta no começo do mês na Ufac. Jonas Filho anunciou que estudos estão sendo realizados em várias países do mundo para definir a espécie do boto. Além desses estudos, novas expedições serão feitas pelas barrancas do rio Purus e seus afluentes para buscar novos vestígios que levem a confirmação de que o fóssil pertence a um boto.


