Londrina - Imagine viver em um local onde não há serviço de coleta e tratamento de esgoto. Essa é a situação enfrentada por 14% da população de Londrina, conforme aponta a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). O problema atinge diferentes bairros da cidade. As zonas Sul e Norte são significativamente afetadas. Quem também sofre com a situação são os mais de dois mil moradores do Distrito da Warta (Norte) e a população de outras localidades rurais.
Dados da Sanepar mostram que no Paraná a rede de esgoto alcança 62,45% da população em 345 dos 399 municípios do Estado. No Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), em 2008, aproximadamente 32 milhões de domicílios não contavam com o serviço, o que corresponde a 56% da totalidade. Nesses casos, a saída encontrada é a construção de fossas sépticas, unidades primárias de coleta de esgoto doméstico.
''Sinto-me envergonhado em saber que não há rede de esgoto no local onde moro'', desabafa o médico Sidney Girotto, que há onze anos reside em um condomínio na Zona Sul de Londrina. Ele relata que já precisou perfurar duas fossas em sua residência. ''A primeira fossa, que tinha oito metros de profundidade, durou aproximadamente oito anos. Depois desse tempo foi necessário construir outra. Estou preocupado, pois não tem lugar para perfurar mais uma'', disse.
O médico conta que entrou em contato com a Sanepar na época em que a segunda fossa estava sendo construída em sua casa. ''Fui informado de que não havia previsão para a instalação de rede de esgoto na região para os próximos seis anos. É lamentável'', ressalta. Segundo Girotto, as fossas contaminaram a água do poço artesiano do condomínio. ''Um laudo emitido recentemente pela UEL (Universidade Estadual de Londrina) constatou que a água está imprópria para beber. Os moradores utilizavam o poço na área comum, mas agora isso não é mais possível'', relata.
O servidor público Sérgio Henrique da Silva mora na Warta há 40 anos. Durante esse tempo, precisou perfurar quatro fossas. ''Pagamos os nossos impostos, mas não recebemos a atenção que merecemos. Com isso, a região fica desvalorizada'', lamenta. O comerciante Adilson Myszynski acrescenta que a luta dos moradores da Warta já dura mais de dez anos. ''O local está crescendo. Um condomínio com 114 casas está sendo construído. Todos terão que construir fossas?'', questiona.
A veterinária Elizabete Regina Marangoni Marana destaca que já foi entregue um abaixo-assinado na Sanepar e encaminhado ofícios para diversos órgãos públicos. Ela classifica a situação como ''complicada'' e lamenta por não ter recebido a atenção esperada. ''É triste ter que implorar para conseguir um direito básico'', considera.
De acordo com ela, a situação é ainda mais crítica, pois o solo da região é raso, sendo de aproximadamente 4 metros. ''Não tem profundidade suficiente para a construção de uma fossa. Por isso, os moradores precisam esvaziar (a fossa) com frequência e construir novas em um curto espaço de tempo'', argumenta Elizabete.

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