Fórum vai adotar índice da ONU para estabelecer metas de desenvolvimento para SP
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terça-feira, 14 de setembro de 1999
Por Ricardo Osman 
São Paulo, 15 (AE) - O Fórum São Paulo Século 21 deverá adotar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU) para estabelecer as metas de desenvolvimento a serem alcançadas no Estado. A proposta de adotação de um índice para orientar os objetivos das discussões foi aprovada hoje, na primeira reunião dos conselheiros desde a instalação do Fórum na Assembléia, há um mês. O autor da proposta, o empresário Oded Grajew, conselheiro da Fundação Abrinq (da Associação dos Fabricantes de Brinquedos), sugeriu o IDH como índice a ser utilizado.
"O importante é estabelecermos o que queremos para São Paulo para daqui a dez anos", afirmou Grajew. "Mas precisamos estabelecer nossos objetivos a partir de indicadores técnicos, como o IDH". Para Grajew, o índice da ONU, que aponta o grau de desenvolvimento humano nos países, poderá ser aplicado no Estado. A partir daí, o Fórum terá uma referência para seu trabalho. A decisão sobre qual será este indicador social, porém
ainda será tomada. O fundamental, destaca Grajew, é que índices
que consideram pontos como a expectativa de vida e a taxa de analfabetismo, permitirão mostrar na prática o resultado de políticas sociais e de desenvolvimento.
Com a presença de 68 conselheiros, entre eles o reitor da Universidade de São Paulo (USP), Jacques Marcovitch, e o arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, o Conselho do Fórum aprovou também os 16 grupos temáticos que vão organizar e aprofundar as discussões específicas sobre os problemas do Estado e as futuras soluções. O presidente da Assembléia e do Fórum, Vanderlei Macris, presidiu a reunião, realizada na manhã de hoje, no hall monumental, e divulgou a Carta de Princípios.
Os grupos criados vão tratar de temas como a Cidadania, a Saúde, o Trabalho e Emprego, os Transportes e Energias e até a Reforma do Estado. Cada grupo tem como relator dois deputados, já indicados, e será composto por representantes da sociedade, técnicos e conselheiros do Fórum. "O Fórum é uma iniciativa importante", elogiou dom Cláudio Hummes, que integra o grupo da Cidadania. Em sua opinião, a chegada do ano 2000, e a posterior virada do século, vai estimular em todas as pessoas a discussão sobre "um novo projeto de sociedade", que, como destacou ele, deve ser "um projeto com cidadania".
Durante a reunião, falaram, como conselheiros, o presidente do Rabinato da Congregação Israelita, Henry Sobel, e o presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE), Daniel Vaz. Henry Sobel apontou como fundamental o debate sobre a ética. "A ética é a base da sociedade, sem a ética a sociedade não consegue sobreviver", declarou. O representante dos estudantes reivindicou maior participação de jovens no conselho. Parede - O relator geral do Fórum, deputado Arnaldo Jardim (PPS)
endossou a idéia "valiosa" apresentada por Grajew. "Temos de estabelecer metas para o Estado", afirmou. Oded Grajew disse até que a Assembléia deveria fixar na parede do hall monumental as metas apontadas pelo Fórum para o futuro de São Paulo, de forma que a população pudesse conferir a cada ano o sucesso ou não das medidas apontadas.
O Fórum São Paulo Século 21 tem duração até o fim do ano que vem. As propostas a serem elaboradas poderão ser transformadas em projetos de lei ou encaminhadas como emendas ao Orçamento do Estado. Abreu Sodré - O presidente da Assembléia e do Fórum, Vanderlei Macris, pediu, ao fim da reunião do Conselho, um minuto de silêncio em homenagem ao ex-governador do Estado Roberto Costa de Abreu Sodré, que faleceu na noite de ontem. Os conselheiros, e demais deputados da Casa, prestaram a homenagem em pé.


