Porto Alegre - A segunda edição do Fórum Social Mundial, que começou no dia 31 de janeiro, foi encerrada ontem pela manhã com uma cerimônia que reuniu milhares de pessoas no câmpus da Pontifícia Universidade Católica, em Porto Alegre. No evento, com transmissão ao vivo para telões instalados no anfiteatro Pôr-do-Sol e no Acampamento da Juventude, foram distribuídos lenços brancos, simbolizando a luta pela paz. ‘‘Aqui um novo mundo é possível se a gente quiser’’, cantavam as milhares de pessoas que participaram do encerramento das atividades do FSM.
Um dos destaques do encerramento foi a leitura de um texto que o escritor português e Prêmio Nobel de Literatura José Saramago enviou para a segunda edição do FSM. Em um dos trechos, o escritor garante que a Declaração Universal dos Direitos Humanos poderia substituir, ‘‘integralmente, sem mudar uma vírgula’’, os programas de todos os partidos políticos, incluindo os de esquerda. E em outra parte, adaptou uma das fábulas de La Fontaine, ao dizer que se algo não for feito, ‘‘os ratos dos direitos humanos serão devorados pelos gatos da globalização econômica’’.
Segundo os organizadores, o evento contou com a participação de cerca de 60 mil pessoas, incluindo 15 mil delegados de 123 países. Foram 27 conferências e 700 debates, com manifestações contra o Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca), a pobreza dos países pobres diante de suas dívidas externas e os transgênicos.
Cerca de cinco mil organizações de todo o mundo estiveram representadas nesses cinco dias de fórum. As maiores delegações foram do Brasil, França, Itália, Estados Unidos e Argentina. O evento contou com a cobertura de mais de três mil jornalistas de 48 países.

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