Florença - O primeiro fórum social europeu realizou ontem em Florença, Itália, dezenas de debates e seminários com a intenção de coordenar melhor o movimento de resistência contra a globalização neoliberal e construir ''outro mundo'', pacifista e justo.
''Estamos no início de um ciclo de radicalização e mobilizações, um pouco como nos anos 60'', afirmou Christophe Aguiton, chefe das relações internacionais da Attac-França.
''O problema agora é o de combinar uma nova geração política com os diversos movimentos sociais, sindicais, com as ONGs, que trabalham há anos. Esse é o grande desafio deste fórum'', acrescentou o militante da associação mundial que solicita um imposto às transações financeiras internacionais.
Os inimigos do neoliberalismo econômico, vindos de todos os cantos do mundo, em geral bem jovens, rechaçam ''a mercantilização'' do planeta e reclamam novas regras internacionais.
Entre os pedidos que fazem figuram o cancelamento da dívida externa dos países do terceiro mundo, que muitos continuam pagando mas aumenta irremediavelmente, a proteção ao meio ambiente, o respeito às liberdades individuais e o direito ao acesso à saúde e à educação.
A luta contra o racismo é outra das grandes reivindicações do movimento, que se opõe sobretudo à guerra, e em particular ao conflito com Iraque, e por isso convocou para sábado uma grande marcha pacifista, na qual deverão participar 200.000 pessoas.
''É preciso criar uma coalizão de forças no mundo que reúna os sindicatos, os anticapitalistas, as ONG's, a esquerda, os movimentos pela paz e a comunidade muçulmana'', explicou o inglês Chris Nineham, do movimento Stop the war Coalition.
O problema palestino também está presente no fórum. ''Não pode haver paz na Palestina sem justiça e sem terra'', assinalou Patrizia Rossi, 25 anos, da União Democrática Árabe-Palestina.
O direito à educação é um dos temas que mais atrairam estudantes de toda a Europa. O despertar do movimento sindical em todo o velho continente foi longamente aplaudido pelos participantes, que lembraram as manifestações na Alemanha, Espanha, Itália e França em defesa de serviços e direitos.
O objetivo agora é encontrar elementos de ''união entre o movimento sindical e os movimentos sociais'', afirmou o primeiro secretário do Partido Socialista Francês, François Hollande, que participou no início deste ano do fórum de Porto Alegre.

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