Fórum Social começa previsível
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sábado, 02 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Porto Alegre - No primeiro dia de seminários do 2º Fórum Social Mundial, que pretende ser mais propositivo que o do ano passado, o que se viu novamente foi a ausência de debates. Na maioria dos programas, predomina um uníssono: sobre os mais diversos assuntos, ouvem-se basicamente as mesmas idéias.
Na dúvida entre ser um evento e ser um congresso, o fórum deste ano começou previsível. Além de contar com poucas personalidades políticas, além das do PT e de socialistas franceses, ele não trouxe muitos intelectuais de renome, nem estrangeiros daí o ativista americano Noam Chosmky ter sido convertido em estrela solitária á nem brasileiros. E os políticos do PT estão, naturalmente, preocupados em fazer campanha eleitoral.
Então o resultado é a coincidência de opiniões, mesmo que o fórum deste ano tenha o dobro de custos e de convidados e tenha se dispersado por vários pontos da cidade.
O seminário sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), realizado ontem à tarde no auditório da Assembléia Legislativa, é um dos exemplos. Teve na mesa o candidato a deputado federal José Dirceu, o vice-governador do RS, Miguel Rossetto, o sociólogo Emir Sader, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães e também Luiz Inácio Lula da Silva, que não falou e se retirou na metade do seminário.
A concordância sobre a questão da Alca foi total. José Dirceu disse que se trata de um programa de anexação da América Latina por parte dos EUA; Rossetto qualificou-o de entrega da soberania; Sader falou em consolidação da hegemonia militar americana; e Guimarães definiu-a como projeto de colonização.
A questão da segurança, que reaparece a todo instante no fórum, também recebeu a mesma leitura. Para eles, a violência é um produto da desumanização da sociedade, gerada pela primazia dada pelo neoliberalismo ao mercado. Logo, a causa senão imediata, mediata do assassinato dos prefeitos do PT Antonio da Costa Santos e Celso Daniel é a globalização. A burguesia brasileira, afirmou Sader, quer eliminar os que defendem o povo, quer intimidar a esquerda e os pobres, dentro da lógica de militarização do mundo que é crescente desde o 11 de setembro. Lula, para eles, significa instabilidade. Mas são eles que, como diz Chosmky, fabricam o medo.
Anteontem à noite, na festa de abertura do fórum, o governador gaúcho, Olívio Dutra, disse a mesma coisa: a falta de segurança é consequência da globalização.
A avaliação da crise argentina também é a mesma nas mais diversas conferências e oficinas: ninguém discorda de que ela foi diretamente provocada pela política imposta pelo FMI ao país. Tanto para os políticos como para os intelectuais que participam do fórum, a internacionalização da economia nada mais é que uma forma de imperialismo maquiada.


