Porto Alegre, RS- O Fórum Social Mundial, que começa hoje, se despede de Porto Alegre, preocupado em se tornar mais abrangente e propositivo. A maior abrangência se reflete na própria decisão tomada ontem de descentralizá-lo. A conotação mais propositiva está presente em todas as atividades, segundo os organizadores.
Das cinco edições do fórum (contando com a deste ano), apenas uma não se realizou na capital gaúcha -a de 2004, na Índia.
Em nota do seu conselho internacional, após reunião de dois dias, o fórum anunciou ter decidido que, em 2006, o evento ''será realizado de forma descentralizada, em diferentes lugares do mundo. Essa decisão visa à expansão e enraizamento do processo''.
Apesar de deixar Porto Alegre, o fórum manterá o caráter anual. Essas duas decisões contentaram os organizadores. Parte deles considera um ''enfraquecimento'' tornar o evento bienal e que Porto Alegre se tornou um território ''hostil'' após a derrota do PT nas eleições do ano passado.
A respeito do caráter político da decisão, a nota diz: ''Integrarão o FSM 2006 os eventos realizados em diferentes regiões e países cujas organizações se proponham a compartilhar princípios metodológicos construídos em comum, em consonância com a Carta de Princípios''.
Quanto à periodicidade, invoca a necessidade de ser coincidente com o Fórum Econômico Mundial, de Davos (do qual é contraponto): ''O Processo Fórum Social Mundial 2006 terá início com a realização de eventos na mesma data do Fórum de Davos''.
O Fórum Social Mundial de 2007 será realizado na África. O país que corre na frente é o Marrocos, já candidato a ser sede do evento em 2006.
''A organização do Fórum Social Mundial 2007 será de responsabilidade das organizações africanas. O conselho internacional compartilhará essa responsabilidade'', adianta a nota divulgada ontem.
O fórum que se inicia hoje, com uma caminhada de cerca de dois quilômetros entre o largo Glênio Peres (centro de Porto Alegre) e o anfiteatro Pôr-do-Sol (sem solenidade formal), terá cerca de 2 mil atividades, que vão desde discussões a respeito do combate à fome até debates sobre o conflito no Oriente Médio.
Na caminhada, às 16 horas, haverá toque de tambores e pedidos pela paz. No espetáculo de abertura, as atrações são o ministro da Cultura, Gilberto Gil, que atuará como músico, o franco-espanhol Manu Chao e a banda argentina Bersuit Vergarabat.
As principais atrações, dentre os participantes confirmados, além de Lula, são o presidente venezuelano, Hugo Chávez, o escritor português José Saramago, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, o argentino Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, a ex-primeira-dama da França Danielle Mitterrand, entre outros.

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