Curitiba- A queima de combustíveis fósseis responde por cerca de 80% da emissão de carbono na atmosfera, fator de impacto para as mudanças climáticas. Mas, especialistas apontam que a queima e derrubada de florestas é responsável pelos outros 20% e, por isso, defendem que essa questão deva ser considerada nas discussões da COP-8 para criação de um regime internacional de proteção de florestas.
O Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS) entregou à delegação brasileira um documento com propostas para a redução das emissões de gases provocadas pelo desmatamento. A expectativa é que as propostas endossadas pelo Observatório do Clima (rede de ONGs brasileiras) sejam incluídas no relatório que os representantes do Brasil deverão apresentar até o final da conferência.
O diretor do Instituto de Pesquisa da Amazônia e do Observatório do Clima, Paulo Moutinho, vê a necessidade de interar as discussões sobre o problema do desmatamento e o de mudanças climáticas na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). O quadro climático é contemplado em outro tratado internacional o Protocolo Kyoto.
Uma das preocupações da ONG é com a política brasileira para o desenvolvimento de biocombustível. Para o coordenador de campanha do Greenpeace, Marcelo Furtado, o receio é que se faça a conversão de áreas de florestas para o plantio de culturas que sirvam de matéria-prima para o biocombustível. A ong defende o uso de áreas já ocupadas pela agricultura.
Estudo do Observatório do Clima estima que se o desmatamento na Amazônia mantiver o mesmo ritmo, até 2050, teremos perdido 40% das florestas e 32 bilhões de toneladas por ano de carbono serão lançadas na atmosfera.(A.L.)

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