Fórum marca mobilização mundial contra transgênicos
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sábado, 27 de janeiro de 2001
Das agências De Porto Alegre 
O Fórum Mundial Social (FSM) teve ontem, durante o dia de debates, a marca da reação dos agricultores contra o cultivo de alimentos transgênicos. Ontem, o coordenador europeu da organização internacional Via Campesina, Paul Nicholson, disse que espera consolidar no encontro um movimento de alianças capaz de forçar uma mudança no modelo neoliberal, que encontra nos produtos geneticamente modificados, segundo ele, um instrumento de implantação.
A instituição, que reúne cem entidades de camponeses de quatro continentes - o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é um de seus fundadores - defende quatro políticas agrícolas principais: o fim da importação de alimentos subsidiados (dumping), o combate aos transgênicos, o uso das sementes como patrimônio da humanidade e a preservação da biodiversidade (sem privatização dos bens naturais).
Para sustentar suas posições, o Via Campesina quer a transferência da discussão agrícola da esfera da Organização Mundial do Comércio (OMC) para a Organização das Nações Unidas (ONU). A agricultura não deve ser parte da OMC, afirmou Nicholson. Ele presidiu ontem um dos quatro painéis principais em que está dividido o FSM.
Nicholson citou como exemplo da articulação mundial dos movimentos camponeses a presença do agricultor francês José Bové no acampamento formado na cidade de Não-Me-Toque, local do protesto ocorrido contra a soja e o milho transgênicos.
Mais de 1.300 camponeses brasileiros liderados pelo dirigente do MST João Pedro Stédile e por Bové invadiram um grande laboratório da empresa americana Monsanto especializado em biotecnologia, situado em Não-Me-Toque.
Os camponeses, que não encontraram resistência dos inúmeros seguranças da fábrica, arrancaram com suas próprias mãos o milho e a soja, destruíram os documentos do escritório e queimaram vários quilos de sementes, constatou a Agência France Presse no local.
José Bové, líder mundial dos antineoliberais desde que participou da destruição de um McDonalds na França, afirmou que o que estava vendo lhe tocava o coração e alertou sobre os perigos ainda desconhecidos de que os produtos transgênicos acarretam para quem os planta, os consome e para o meio ambiente.
O coordendor da Via Campesina comentou: Quando globalizamos a luta, globalizamos a esperança. Segundo Nicholson, uma luta aqui, significa gerar esperança em outros lugares do mundo.
Para Nicholson, a OMC quer impor o uso dos transgênicos. Com eles, as multinacionais estão comprando toda a cadeia alimentar, na análise do líder camponês europeu. Esta questão ganhou notoriedade nos países do Terceiro Mundo recentemente, na avaliação de Nicholson, porque as multinacionais pensaram que seria mais fácil impor este modelo na região, onde imaginavam encontrar menor reação, mas os movimentos de agricultores estão contrapondo grande resistência. Na Europa, afirmou Nicholson, 80% dos consumidores rejeitam os alimentos transgênicos e os produtos convencionais estão custando mais caro.
O Via Campesina representa milhões de agricultores. Apenas a organização indiana KRRS reúne cerca de 15 milhões de filiados. O Via Campesina foi criado em 1993 e sua sede está instalada em Tegucigalpa, Honduras.


