Fórum lança memorial de resistência
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quarta-feira, 07 de março de 2001
Fabiana Klein De Curitiba 
O Fórum de Luta por Trabalho, Terra, Cidadania e Soberania-PR promoveu, na tarde de ontem, no km 108 da BR 277, um ato público que lançou a pedra fundamental do monumento em defesa da vida e das liberdades democráticas. O monumento, que leva a assinatura do arquiteto Oscar Niemeyer, terá o nome de Antônio Tavares Pereira (38 anos), trabalhador rural de Candói, assassinado pela Polícia Militar do Paraná em 2 de maio do ano passado, no mesmo local onde será homenageado com o monumento.
Participaram da manifestação sindicatos, entidades estudantis, políticos de oposição, artistas e representantes de partidos políticos. As trabalhadoras rurais, que estão acampadas no Parque dos Tropeiros participando das atividades da Semana da Mulher, e as viúvas de 16 trabalhadores assassinados também estiveram presentes.
Segundo Jelson Oliveira, da Comissão Pastoral da Terra do Paraná, este é um memorial de sofrimento e de resistência. É um memorial para contar à gente de hoje e às futuras gerações o quanto custou conquistar a reforma agrária. Lembrará às pessoas que passarem, que existem inúmeros acampamentos de beira de estrada, onde os trabalhadores esperam, porque não têm para onde ir.
Para o presidente do PT Estadual, Márcio Pessatti, mais do que a conquista da reforma agrária, o monumento simboliza a possibilidade das pessoas ainda poderem sonhar com uma sociedade mais justa. Este monumento é um marco. Está aí, na margem da rodovia, para testemunhar que os pobres continuam não tendo lugar na sociedade de hoje.
A atriz Lucélia Santos, à convite das mulheres que trabalham no campo, também prestigiou o ato público. Um encontro como este é algo muito forte não só pela importância política que tem, mas também pela vida sofrida que essas pessoas levam, principalmente as mulheres, declarou.
Mas não foi só a atriz que lembrou do sofrimento da mulheres que trabalham na terra. Jaude Anghioni, viúva do agricultor Eduardo Anghioni, assassinado há aproximadamente dois anos, também desabafou em nome de todas as viúvas presentes. Esta é a forma de protesto que encontramos para lembrar que muitos trabalhadores morreram, mas que quem mais sofre são suas mulheres. São elas que estão vivas lutando por uma vida mais digna para suas famílias.
A inauguração do Monumento Antônio Tavares Pereira está prevista pelo Fórum de Luta por Trabalho, Terra, Cidadania e Soberania/PR para o dia 1º de maio, quando se comemora o Dia Internacional do Trabalho.
Passeata O Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pretende levar cerca de mil trabalhadoras rurais às ruas do Recife hoje pela manhã em uma caminhada para reivindicar reforma agrária, documentação e saúde para as acampadas e assentadas no Estado. As manifestantes se concentram no bairro Bonjí e seguem até o Palácio do Governo.


