Fórum é contrário àa privatização da água
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sábado, 26 de novembro de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu A delegação que representará os cinco países que compõem a Bacia do Prata Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia deve defender posição contrária à privatização da água no IV Foro Mundial da Água, que acontece em março, no México. Pelo menos foi esse o indicativo aprovado por cerca de 1.500 pessoas, representantes dos governos, ambientalistas e empresários que participaram do Fórum Internacional ''Diálogos da Bacia do Prata'', que terminou ontem, em Foz do Iguaçu.
Essa é apenas uma das recomendações que contam da Carta dos Diálogos da Bacia do Prata, aprovada no final do evento. Divididos em sete grupos de trabalho, em praticamente todas as oficinas, os presentes também apontaram a necessidade de sistematização dos acordos e harmonização das legislações vigentes em cada país, de modo a estabelecer critérios para o uso sustentável dos recursos da bacia.
Também foi unanimidade o posicionamento de que a recuperação dos rios, preservação e uso racional da água não cabe apenas aos governos, e que a responsabilidade e participação em todo processo deve envolver, sempre, as comunidades, organizações representativas das comunidades, e outros atores pertinentes.
O programa inicial do evento previa que representantes dos cinco governos se reunissem a portas fechadas para um primeiro diálogo em busca de consensos para o uso da Bacia do Prata, o que acabou não acontecendo. ''Era impossível sair uma posição oficial dos cinco países em um primeiro diálogo'', avaliou Nelton Friedrich, diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu Binacional, organizadora do evento. De acordo com ele, a expectativa é que até o encontro no México as autoridades ainda se reúnam com essa finalidade.
Ainda assim, para Friedrich, os resultados do fórum foram extremamente positivos. ''É um avanço e um caminho. Pela primeira vez temos indicativos aprovados em conjunto por representantes dos governos e por importantes setores da sociedade'', afirmou.
Além de ser defendida no Fórum Mundial da Água, no México, a Carta dos Diálogos do Prata, documento que traz as diretrizes para a melhor utilização das águas da Bacia, também será entregue, pelos organizadores do Diálogo de Foz, aos governos dos cinco países.
O evento, organizado pela Itaipu, pela ONG Green Cross e pelo Comitê Coordenador dos Países da Bacia do Prata (CIC) foi encerrada, ontem, com uma palestra de cientista e físico Fritjof Capra, um dos mais respeitados ambientalistas no cenário mundial atualmente. ''Um novo mundo é possível, como diz o Fórum Social. Para haver mudanças, o problema não é falta de tecnologia, é um problema ético e de falta de vontade política'', finalizou.
A Bacia do Prata é a segunda maior bacia da América do Sul. Seus três principais rios são o Paraná, Paraguai e Uruguai, que formam o Rio da Prata, ao se encontrarem na Argentina. (A repórter viajou a Foz do Iguaçu a convite dos organizadores do evento).


