O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse ontem que o 4º Fórum de Agricultura dos Países Ibero-Americanos, que se encerra hoje em Havana, Cuba, vai ‘‘recolocar’’ a reforma agrária na pauta política de todos os países da América Latina. Jungmann disse que a reforma agrária, no entender das autoridades que participam da reunião, é a principal alternativa para a ‘‘redução da pobreza e dos desequilíbrios fundiários na era da globalização’’. O fórum é preparatório ao 4º Encontro de Chefes de Estado, que deverá ser realizado em Havana, em novembro.
O 4º Fórum reúne os 18 países da América Latina e Portugal e Espanha. O ministro disse que hoje deverá ser divulgada a ‘‘Carta de Havana’’, onde todos os países se comprometem a pautar a reforma agrária em suas políticas públicas.
Jungmann teria encontro no início da noite com o presidente cubano, Fidel Castro, para detalhar acordos de cooperação técnica entre os dois países. O Brasil vai oferecer cooperação na área de sensoriamento remoto e Cuba vai prestar cooperação nas áreas fitossanitária e de agricultura orgânica.
Os países ibero-americanos discutem também a abertura do comércio da Comunidade Européia para produtos latino-americanos. ‘‘Mas o livre comércio implica na redução dos subsídios distorcidos na Europa’’, disse Raul Jungmann. Os subsídios que alguns países europeus pagam a produtos agrícolas, disse o ministro, inviabilizam a competitividade para os produtos da América Latina.
Jungmann afirmou que se discute também em Havana a importância da preservação do meio ambiente em todos os países, mas não como ‘‘barreiras tarifárias’’ ou empecilho para que produtos não sejam exportados.
O ministro disse que se comemora atualmente em Cuba o aniversário dos 40 anos da reforma agrária. Segundo Jungmann, há um reconhecimento em toda a América Latina de que o Brasil é um país onde se faz reforma agrária. ‘‘Os países reconhecem que o Brasil é país líder na América Latina’’, disse.

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