Fórum denuncia tráfico de mulheres e crianças
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2004
France Presse 
Mumbai, Índia - Em sua primeira grande reunião depois da guerra do Iraque, o movimento que luta por ''outra globalização'' manteve seu terceiro dia de debates, no qual houve marchas, entre elas uma de trabalhadoras sexuais, denúncias contra o Plano Colômbia e contra o tráfico de crianças, assim como uma reunião de parlamentares.
Apesar da diversidade das causas expostas, o alvo principal das críticas do Fórum Social Mundial (FSM) foram novamente, como desde sua inauguração, os Estados Unidos e o presidente George W. Bush, a quem aqui se acusa ser ''um perigo para o mundo''.
''Temos que tirar Bush'', afirmou ontem o ex-ministro da Justiça americano Ramsey Clark. ''Os Estados Unidos estão indo para uma nova geração de armas nucleares'', assinalou, dizendo que ''o mundo deve resistir ao militarismo'' cada vez maior no planeta. ''O mundo deve se levantar contra os Estados Unidos, que estão controlando as Nações Unidas e acumularam mais armas do que o restante do mundo'', declarou Clark, em um seminário-tribunal sobre os crimes americanos.
Em outra parte do gigantesco Fórum, no qual participam cerca de 100 mil ativistas, em sua maioria indianos, 200 pessoas provenientes do estado de Kerala, no sul da Índia, manifestaram-se ''contra a Coca-Cola''. Ao mesmo tempo, no âmbito do FSM, inaugurou-se o Quarto Fórum Parlamentar Mundial, que durante dois dias reúne cerca de 400 deputados, em sua maioria asiáticos, mas também da Europa e da América Latina.
No final desta reunião, será adotada uma declaração que está sendo discutida, na qual entre outras coisas se evocará a necessidade de enfocar de maneira distinta a globalização, indicaram fontes parlamentares.
Duas ministras do governo francês (de direita), a ministra do desenvolvimento sustentável, Tokia Saifi, e a da igualdade profissional, Nicole Ameline, se convidaram a este Fórum para ''dialogar com a sociedade civil.''
''Devemos superar a fratura tradicional entre direita e esquerda'', disse Saifi à AFP. ''Aqui está emergindo um contrapoder'', comprovou. ''E um contrapoder é necessário'', frisou.
Igualmente, em mesas redondas e debates, ativistas alertaram ontem para o perigo da regionalização do conflito colombiano e para os efeitos sobre a saúde de um plano antidrogas e contra-guerrilha financiado por Washington, o Plano Colômbia.
O Plano Colômbia, ao qual os Estados Unidos aportam mais de US$ 2 bilhões em ajuda financeira e militar, ''está provocando maior militarização do Equador e Colômbia e uma regionalização do conflito, assim como uma destruição da selva amazônica e das comunidades que vivem lá'', advertiu um delegado equatoriano. ''Como consequência do Plano Colômbia, há 10 mil homens armados equatorianos na fronteira com a Colômbia, para fazer operações e alguns deles vão morrer'', afirmou o ex-ministro equatoriano do ambiente, Edgar Isch López.
Ativistas também denunciaram o tráfico de que são vítimas milhões de crianças e de mulheres no mundo, com o objeto de explorá-las sexualmente ou também para ''trabalhos'' degradantes, como roubar e mendigar. Diariamente 3 mil mulheres e crianças são vítimas do crime do tráfico humano, numa operação que representa US$ 10 bilhões anuais, indicou a Campanha contra o Tráfico de Crianças.
O Fórum foi também cenário de uma marcha de mais de mil trabalhadoras sexuais e eunucos (castrados) alguns vestidos com atraentes saris , assim como homens infectados com o vírus da aids, que aproveitaram este encontro para pedir o fim da discriminação, e para exigir que o tratamento contra a doença seja grátis. ''Não nos julguem'', dizia um cartaz de uma ativista do Planeta Arco-íris, uma organização que trabalha em favor da igualdade sexual e pela abolição de uma legislação que proíbe o homossexualismo.
Hoje o Fórum prevê um dia de debates consagrados aos direitos dos 138 milhões de dalits, ou ''intocáveis'', que representam 17% da população da Índia.


