Fórum debate sobre escassez de água, que atinge 1 bilhão France Presse Da Holanda Um informe da Comissão Mundial sobre Água para o Século XXI indica que metade da humanidade sofre escassez de água ou dispõe somente de água insalubre. A situação fica mais grave com a poluição, o desperdício e a má administração de recursos. A Comissão, patrocinada pelo Banco Mundial e por vários ex-chefes de Estado e de Governo, redigiu um documento destinado ao Fórum Mundial de Água, em Haia, que vai reunir milhares de especialistas a partir de hoje e cerca de cem ministros nos dias 21 e 22 de março. Atualmente, um bilhão de pessoas não têm acesso à água e dois bilhões dispõem de água sem o saneamento adequado. A Comissão estima que o crescimento demográfico, (calcula-se que a Terra terá oito bilhões de pessoas em 2025) vai aumentar em 17% a demanda de água destinada à irrigação, em 20% necessidade da indústria e em 70% a procura de água destinada ao consumo doméstico. O informe da comissão lembra que é preciso levar em conta que a água é naturalmente limitada; 97,5% da água do planeta é salgada, e só uma proporção ínfima da água doce é de fácil acesso. O desperdício, a contaminação, o desmatamento e a degradação do solo têm provocado secas. Para enfrentar a situação a Comissão propõe a adoção do princípio ‘‘o poluidor paga’’ e a cobrança pela água, ao preço de custo. Para isso, a receita da comissão é privatizar os serviços de captação e distribuição de água e lutar contra o desperdício. A Comissão calcula que é preciso investir US$ 180 bilhões anuais em lugar dos 70 ou 80 investidos atualmente, e acredita que os recursos devam proceder quase integralmente do setor privado. Os Estados deveriam se dedicar à regulamentação e fiscalização globais, à proteção do meio ambiente e às subvenções diretas aos usuários que precisem. No seu relatório, a Comissão reforça a necessidade de uma ‘‘gestão integrada da água’’ a partir das bacias hidrográficas, e cita o exemplo das agências francesas de água. De acordo com o modelo sugerido, é preciso levar em conta todas as necessidades do homem e criar ‘‘Parlamentos da água’’ para que os usuários participem das decisões.

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