Fórum debate reinserção social de portadores de transtornos mentais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de janeiro de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- ''Para viver em comunidade eu preciso de um lar, um trabalho e um amigo''. A resposta, dada por um paciente, portador de transtorno mental, que se encontrava internado em um hospital no Canadá é um dos melhores exemplos usados hoje pelos especialistas canadenses para defender a tese de que a maioria dos pacientes internados em hospitais psiquiátricos tem condições de voltar a viver junto à comunidade.
Adotada há vários anos na província de New Brunswick, no Canadá, a experiência já resultou na criação de 26 residências, onde vivem ex-internos. Os usuários, como são chamados, são responsáveis pelo gerenciamento de suas casas, e o estado se responsabiliza em criar oportunidades em escolas e empresas.
No Canadá, a iniciativa existe há apenas dois anos. Aqui, cerca de 250 portadores de deficiência mental deixaram os hospitais para viver em casas terapêuticas. As unidades, que abrigam no máximo oito pacientes, contam com suporte de unidades de saúde normalmente municipais e de organizações não governamentais (ONGs) e normalmente contam com a figura de um ''cuidador'', que vai ajudar nos afazeres da casa.
''Quando os usuários passam a gerenciar a casa, têm um trabalho, vão à igreja, ao mercado, eles têm oportunidade de mostrar que também têm contribuição a dar, e a comunidade deixa de vê-los como um fardo, mas como um membro que tem algo a oferecer'', explica Ken Ross, representante do Ministério da Saúde de New Brunswick.
Essa interação com a comunidade, de acordo com John Trainor, diretor da Unidade de Suporte Comunitário e Pesquisa do Center of Adiction Mental Health (CAMH) da Universidade de Toronto, Canadá, é o caminho para acabar com o preconceito. Especialistas reconhecidos mundialmente, Trainor e Ross participam em Curitiba do Fórum de Capacitação de Reinserção Social, promovido pelo Hospital Nossa Senhora da Luz, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR).
O Hospital Nossa Senhora da Luz, localizado no Prado Velho, que chegou a ter 610 pacientes em 2000, atende hoje 330 pacientes. Desses, 59 vivem no hospital e são alvos do programa. Até agora o hospital implantou quatro casas terapêuticas, onde vivem 22 usuários, e em breve abrirá mais uma unidade, para mais oito internos.


