Fórum debate como cidades inteligentes melhoram serviços públicos
Evento promovido pela CTD discutiu experiências bem-sucedidas de municípios brasileiros e apresentou soluções que podem ser adaptadas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de julho de 2026
Evento promovido pela CTD discutiu experiências bem-sucedidas de municípios brasileiros e apresentou soluções que podem ser adaptadas

O conceito de cidade inteligente vai além da adoção de novas tecnologias e depende da capacidade do poder público de utilizar inovação, planejamento e dados para melhorar a qualidade dos serviços prestados à população. Ferramentas como telemedicina, aplicativos para solicitar serviços urbanos, monitoramento preventivo de problemas e integração digital entre diferentes áreas da administração pública foram apontadas como alguns dos caminhos para tornar os municípios mais eficientes durante o Fórum Londrina Cidades Inteligentes, que ocorreu nesta terça-feira (28), na CTD (Companhia de Tecnologia e Desenvolvimento) de Londrina.
Promovido em comemoração aos 27 anos da CTD, o encontro reuniu especialistas nacionais em inovação, gestores públicos e representantes da iniciativa privada para discutir experiências bem-sucedidas de cidades brasileiras e apresentar soluções que podem ser incorporadas à realidade londrinense.
Segundo o presidente da CTD, Roberto Moreira, o conceito de cidade inteligente é amplo e tem como foco principal melhorar a vida da população. "Cidade inteligente é aquela que deixa o seu cidadão feliz. Isso passa por um bom sistema de saúde, segurança pública, educação e desenvolvimento econômico. A tecnologia é um meio para proporcionar essas melhorias", afirma.
Moreira ressalta que o evento buscou aproximar Londrina de experiências de sucesso em outras cidades, como Vitória (ES), eleita a cidade mais inteligente do Brasil em 2025, além de reunir representantes de instituições especializadas em inovação urbana, como o ICI (Instituto de Cidades Inteligentes), de Curitiba, e empresas do setor.
Entre as iniciativas apresentadas está o Londrina ON, plataforma digital lançada há cerca de cinco meses para concentrar diferentes serviços municipais em um único ambiente. Na primeira etapa, o sistema passou a receber solicitações relacionadas à zeladoria urbana, como troca de iluminação pública, tapa-buracos, capina e roçagem. Em seguida, incorporou a telemedicina, que, segundo Moreira, já permite mais de 90 atendimentos diários.
A plataforma também está em fase de expansão para incluir serviços da Farmácia Municipal e da área de educação infantil. "O foco é trazer acessibilidade para o cidadão. Ele consegue acessar diferentes serviços pelo celular, pelo telefone 156 ou pelos demais canais digitais, sem precisar se deslocar", explica.
Soluções antecipam problemas
O presidente do ICI, Alexandre Gedanken, afirma que a digitalização dos serviços públicos representa apenas uma das dimensões do conceito de cidade inteligente. "Ela olha para o cidadão, para o meio ambiente, para os serviços públicos, para a tecnologia e para a conectividade. O conjunto de tudo isso é que faz uma cidade ser inteligente", disse.

Segundo ele, quanto maior a oferta de serviços digitais, maior a capacidade da administração de responder rapidamente às demandas da população e de planejar políticas públicas com base em informações consolidadas.
Além do atendimento digital, Gedanken apresenta exemplos de tecnologias já utilizadas em Curitiba que podem ser adaptadas por outras localidades. Entre elas estão sistemas de inteligência artificial capazes de identificar automaticamente problemas urbanos, como buracos e falhas na infraestrutura, por meio de câmeras instaladas em veículos que circulam pela cidade, permitindo que a prefeitura abra ordens de serviço antes mesmo de receber reclamações dos moradores.
Também cita soluções de consultórios virtuais, integração de diferentes serviços públicos em um único aplicativo e plataformas de atendimento ao cidadão.
Gedanken ressalta que a implantação dessas ferramentas exige investimentos em infraestrutura tecnológica, centros de dados, conectividade e manutenção contínua, mas defende que o retorno costuma superar os custos. "Muitas vezes, a adoção da tecnologia traz muito mais benefício, inclusive financeiro, do que não investir nela", afirma.
Planejamento e gestão
O presidente da CDTIV (Companhia de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Vitória), Jairo Siqueira, representou a capital do Espírito Santo no evento londrinense para trazer as experiências e soluções que a colocaram no topo do ranking nacional do Connected Smart Cities de 2025. O levantamento avaliou mais de 5 mil municípios com base em 75 indicadores de desenvolvimento urbano.

Para Siqueira, a cidade capixaba alcançou reconhecimento nacional por combinar inovação tecnológica com planejamento urbano e melhoria dos serviços públicos. Segundo ele, o programa Vitória 2030, implantado ao longo dos últimos seis anos, permitiu ampliar investimentos, modernizar a gestão e executar projetos em áreas como saúde, educação, mobilidade e revitalização urbana.
Entre os resultados apresentados estão a ampliação das escolas de tempo integral, a expansão da rede de saúde, investimentos em infraestrutura da orla e o uso de plataformas digitais para atendimento ao cidadão e gestão das demandas da população.
Siqueira ressalta que o conceito de cidade inteligente não se limita à tecnologia. "Uma cidade inteligente não é uma cidade meramente tecnológica. A tecnologia serve para entregar aquilo que o cidadão realmente precisa", afirma. Ele frisa que um planejamento estruturado facilita a captação de recursos nacionais e internacionais para financiar projetos de inovação, além de tornar a administração pública mais eficiente.
Para o dirigente, o principal retorno dessas iniciativas está na melhoria da qualidade dos serviços públicos, permitindo atendimentos mais rápidos, ampliação do acesso à saúde e maior capacidade de resposta às necessidades da população.


Luis Fernando Wiltemburg
Repórter de Cidades.



