O 2º Fórum de Usuários de Rodovias do Paraná, que aconteceria hoje à tarde, em Londrina, foi cancelado em razão do reajuste das tarifas de pedágio, que entra em vigor amanhã. Segundo o presidente da Associação dos Usuários das Rodovias do Paraná e um dos organizadores do evento, Paulo Muniz (foto), a medida ‘‘arbitrária’’ do governo tirou o sentido do evento.
O fórum seria realizado a partir das 14 horas, no Hotel Sumatra, com a participação de representantes de 300 entidades civis e associações de classe de todo o Estado, além de Nelson Justus, deputado estadual pelo PTB e futuro secretário dos Transportes.
Segundo Muniz, o fórum seria uma tentativa para segurar o aumento na tarifa e uma forma de abrir um canal de negociação para discutir a fiscalização sobre as concessionárias e apresentar as diferenças no valor do pedágio que existem na região Sul do Brasil.
‘‘No mesmo momento que o governo cria a expectativa de conversar com a sociedade para discutir valores e acena com a criação de uma agência reguladora, simplesmente sobe a tarifa sem ouvir os principais interessados. Nós percebemos, então, que não adianta discutir porque o governo não está interessado em ouvir’’, afirmou.
Segundo ele, o cancelamento do fórum não significa que a Associação dos Usuários vai aceitar passivamente o novo valor da tarifa. ‘‘O que vamos fazer, a partir de agora, é pressionar politicamente os deputados estaduais para que seja instalada a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do pedágio. Quem se recusar a assinar o requerimento para a instalação da CPI vai ter seu nome divulgado como o deputado que foi contra os interesses da sociedade’’, ameaçou. Até o fechamento desta edição, faltavam poucas assinaturas para completar as 18 exigidas pelo regulamento interno da Assembléia Legislativa.
Paulo Muniz disse que manifestações de protesto e paralisações em praças de pedágio também não estão descartadas. Segundo ele, talvez seja a hora de ‘‘radicalizar’’. ‘‘O diálogo não tem surtido efeito. Ou nós não usamos a linguagem certa ou o governo tem ouvidos moucos.’’ Muniz acrescenta: ‘‘O desencanto é geral. Como confiar em um governador que nega uma coisa na terça e, na quarta, faz tudo o que negou?’’ (Telma Elorza, de Londrina)

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