Fórum de Estabilidade é apenas um passo Do correspondente Reali Júnior
Paris, 21 (AE) - Os países industrializados que integram o Grupo dos Sete (G-7), na reunião de ministros de Economia e Finanças neste fim de semana, em Bonn, decidiram intensificar a cooperação para garantir um crescimento mundial mais equilibrado e limitar a volatilidade das moedas. Esse não deixa de ser um primeiro passo importante, mas ainda insuficiente, para prevenir crises como as da ásia, da Rússia e mais recentemente do Brasil.
A decisão de criação de um Fórum de Estabilidade Financeira - a ser instaurado após as turbulências que atingiram os países emergentes - mostra que a comunidade internacional parece ter aprendido a lição, mas não deve ser interpretada como algo que "poderá mudar a face do mundo", como disse o autor da sugestão
o presidente do Bundesbank, Hans Tietmeyer.
A missão de estudar os meios pelos quais seria mais fácil controlar o fluxo de capitais foi confiada a Tietmeyer em outubro, no auge da crise brasileira. O G-7 vai continuar examinando também o papel dos fundos hedge, altamente especulativos, e dos paraísos fiscais, bem como meios de impor maior transparência e uma administração mais prudente de riscos.
A simples criação desse fórum e essa declaração de intenções do G-7 não são tidas como iniciativas suficientes para prevenir novas crises como a que o Brasil atravessou.
As primeiras reações críticas ao relatório de Hans Tietmeyer já haviam sido antecipadas na ultima sexta-feira pela própria comunidade financeira.
De certa forma, Tietmeyer não propõe, como se esperava, uma série de medidas concretas e detalhadas para lutar contra a circulação incontrolável de capitais especulativos, como muitos, entre eles o presidente Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, preconizam. Ele apenas propõe objetivos de coordenação das políticas entre os países, para evitar riscos seguidos ao sistema financeiro internacional. "O ritmo das evoluções dos mercados e dos intermediários envolvidos na globalização financeira já mostrou seus limites", revela o estudo.
O fórum vai identificar vulnerabilidades. Uma das preocupações do G-7 foi associar os países emergentes, principais vítimas dessas crises, a esse novo dispositivo e instaurar um maior controle das atividades dos fundos especulativos, mas ele não revela como e quando.
A seu ver, essa cooperação reforçada vai permitir a utilização dos benefícios que a livre circulação de capitais pode produzir para o conjunto dos participantes do sistema financeiro internacional.
Em diagnóstico submetido ao G-7, Tietmeyer defende maior transparência e melhor coordenação com o setor privado , acreditando que isso poderá ser feito por meio do Fórum de Estabilidade Financeira. Este organismo se reunirá regularmente para examinar as vulnerabilidades que afetam o sistema financeiro, identificando os meios para neutralizá-las.
Em Bonn, o G-7 parece ter abandonado a idéia de criação de algo similar ao Sistema Monetário Europeu em escala mundial, que tinha o apoio de França e Alemanha, associando estreitamente os valores das grandes divisas internacionais, limitando antecipadamente as flutuações entre dólar, euro e iene.





