Brasília- Balanço de 2005 apresentado ontem por 45 entidades que integram o Fórum Nacional da Reforma Agrária revela que a violência no campo aumentou no governo Luiz Inácio Lula da Silva, com crescimento do número de mortos e agressões a trabalhadores rurais, a expulsão de índios de suas terras e o enfraquecimento da pequena produção. Em entrevista coletiva na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), as entidades divulgaram manifesto em que denunciam o aprofundamento da crise econômica, social e política do País e pedem a mudança de rumo do governo.
O governo Lula, conforme esses movimentos adotou uma política econômica que prioriza o agronegócio e prejudica cada vez mais o pequeno agricultor. ''Estamos assistindo, estarrecidos, um governo de esquerda, no qual depositamos nossas esperanças, adotar a lei do chicote contra a agricultura familiar'', disse dom. Thomaz Balduíno, presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Ele ressalvou que a crítica não é de adversário, mas de aliado que quer ver as coisas darem certo. ''Cobramos, mas estamos dentro da mesma trincheira. Se fosse um governo de direita, sequer teríamos o direito de criticar'', observou.
De janeiro a novembro de 2005, de acordo com o balanço divulgado hoje, ocorreram no País 37 assassinatos de trabalhadores rurais, dois a mais que os 35 ocorridos no mesmo período do ano passado. Entre as vítimas está a missionária americana Dorothy Stang, morta a tiros por pistoleiros no Pará. Os assassinatos de índios somaram 36, três a mais que no ano passado, segundo o mesmo levantamento.
O bispo defendeu uma mobilização dos oprimidos brasileiro para mudar o quadro de violência e fazer a reforma agrária avançar, a exemplo do que ocorreu na Venezuela e ocorre atualmente na Bolívia. ''As elites querem entregar o País ao império'', denunciou.
As entidades observam ainda que o programa de reforma agrárias ficou longe de atingir a meta de assentar 115 mil famílias neste ano. Segundo o coordenador da CPT Izidoro Revers, o governo mente quando diz que assentou 108 mil famílias, porque, conforme garante, praticamente a metade dessas famílias dadas como assentadas ainda está acampada em barracos de lona, esperando o assentamento definitivo.
O Fórum condenou também a ação do governo petista do Mato Grosso do Sul para desalojar 900 famílias de índios guarani-kaiwas, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Os índios, segundo relato de Egon Heck, dirigente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), estavam assentados em uma reserva já demarcada, mas o STF considerou irregular o decreto de demarcação, atendendo a ação movida por fazendeiros.
A líder indígena Lea Aquino Pedro fez um relato emocionado da operação de despejo, que atingiu velhos, mulheres e crianças, todos jogados na beira da estrada. Ela culpa o governo Lula e o presidente do STF, Nelson Jobim, pelo despejo. ''Foi um ato de desumanidade contra a comunidade indígena'', disse.

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