Fórum critica política de combate à Aids
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quinta-feira, 26 de agosto de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Vestidos de preto, com cartazes e faixas nas mãos, representantes do Fórum Paranaense de Organizações Não-Governamentais em Aids fizeram uma manifestação, ontem de manhã no Centro de Curitiba, para criticar as políticas de combate à Aids no Paraná. ''Cadê o melhor programa de Aids do mundo no Paraná?'', questionava a carta aberta entregue a população. Entre as principais reclamações, o Fórum cobra a falta de leitos para doentes com Aids, resultando em aumento no número de óbitos; demora excessiva para a realização de exames de genotipagem e carga viral, obrigando os doentes a permanecerem até quatro meses em fila de espera; e falta de medicamentos para doenças oportunistas e efeitos colaterais causados pelos medicamentos utilizados.
''É comum levarmos um paciente para um hospital e recebermos a resposta de que não há leitos pelo SUS (Sistema Único de Saúde), só particular. Mesmo o Hospital Osvaldo Cruz, que é do Estado, não tem estrutura. Se alguém tiver uma parada respiratória, por exemplo, não há equipamento para restabelecer a respiração'', diz a presidente do Fórum, Megumi Tokudome, ressaltando que essas carências resultam em um aumento no número de óbitos dos doentes.
De acordo com Megumi, mensalmente essas reclamações são levantadas pelo Fórum em reunião junto à coordenação do Programa DST/Aids da Secretaria Estadual de Saúde, sem que seja apresentada uma solução. Segundo a coordenadora adjunta do programa estadual, Maria Cristina Assef, nem todas as reivindicações feitas são de âmbito do Estado. É o caso da reclamação sobre a disponibilidade de leitos. ''Quem administra a questão dos leitos hospitalares, mesmo quando o hospital é do estado, são os municípios'', diz.
Segundo dados fornecidos pela secretaria, desde o aparecimento da epidemia, em 1984, foram notificados 12.412 casos de Aids no Paraná. Hoje estima-se que existam aproximadamente 7 mil pessoas com Aids, e cerca de 60 mil que têm o vírus HIV mas ainda não desenvolveram a doença. Em Curitiba, existem cerca de 60 leitos disponíveis para doentes com Aids em três hospitais: de Clínicas, do Trabalhador e Osvaldo Cruz.
Os doentes tomam em média 17 comprimidos anti-retrovirais por dia, o que resulta em vários efeitos colaterais, como a liquidistrofia (alteração na deposição de gordura do organismo). Maria Cristina concorda com a importância desse tipo de medicamento, principalmente em função do aumento da sobrevida dos doentes. De acorco com ela, a liquidistrofia não tem tratamento, mas a secretaria está distribuindo gratuitamente desde o início do ano o remédio Bezafibrato, para combater colesterol e triglicerídios altos, efeitos colaterais também comuns.
Maria Cristina lembra, ainda, que a responsabilidade sobre a realização dos exames é do governo federal. Por ser um exame caro (R$ 1,5 mil cada), a genotipagem (que ajuda a definir o medicamento correto) é controlada. Para o Paraná há uma cota mensal de 11 exames. Já o exame de Carga Viral, segundo ela, sofre demora apenas na região de Londrina, já não tem laboratório credenciado. Esta semana, no entanto, a secretaria está solicitando ao Ministério da Saúde o credencimento do laboratório do Hospital Universitário, com capacidade de realizar 360 exames por mês.


