Fórum busca consenso sobre a Bacia do Prata
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quinta-feira, 24 de novembro de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu Representantes dos ministérios do Meio Ambiente, Agricultura, Minas e Energia e Relações Exteriores dos cinco países que exploram os recursos hídricos da Bacia do Prata, Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia reúnem-se hoje, em Foz do Iguaçu, durante o IV Fórum Internacional Diálogos da Bacia do Prata, para tentar formular uma política de consenso sobre o uso da bacia. Na pauta, as autoridades terão que discutir temas espinhosos, como o controle da contaminação dos rios pelo cobre, gerado na Bolívia, por agrotóxicos no lado brasileiro; a necessidade de reparação das matas ciliares ao longo de toda a bacia; além de pendências sobre o uso da hidrovia, que liga a Bolívia ao Uruguai.
As divergências entre os países são tantas que a expectativa é que dificilmente os países consigam fechar, durante o encontro, a proposta conjunta que deve ser levada ao IV Foro Mundial da Água, que acontece em março, no México. Mesmo sem um resultado concreto, a iniciativa dos cinco países em busca de políticas públicas comuns para o uso sustentável das águas da bacia é considerada um primeiro passo para atingirem esse objetivo.
''Há um grande número de compromissos e acordos internacionais, mas um baixo nível de implementação. No Brasil, temos que liderar não apenas como exemplo, mas também como liderança fraterna, no caso da Bacia do Prata. Como fazer se as fronteiras são limites? É preciso que isso não leve à separação dos países, que devem se integrar em busca da sustentabilidade econômica, política e ambiental da região'', afirmou a ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina da Silva, em seu discurso de abertura do evento.
''O acesso à água não é um privilégio, mas um direito'', complementou Celso Claro, presidente da Green Cross Brasil, ONG concebida por Mikhail Gorbachev, e coordenadora do evento ao lado da Itaipu Binacional e do Comitê Coordenador dos Países da Bacia do Prata (CIC).
O teólogo Leonardo Boff, que falou sobre ''Cuidados da Água no contexto da Globalização'' citou iniciativas da sociedade tomadas a partir do Fórum Mundial da Água, realizado em 2003. Além de movimentos populares de boicote a empresas que não respeitam o direito à agua, segundo ele, estão sendo feitos esforços junto à ONU para a criação de uma autoridade mundial de controle para o assunto.
Atualmente, 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável segura, em todo mundo, e 2,4 bilhões não têm acesso ao saneamento básico. A meta da Organização das Nações Unidas (ONU) é reduzir, até 2005, em pelo menos 50% o número de pessoas sem acesso a água. Segundo o presidente Pró-Temporare do CIC, embaixador Arturo Liebers Baldivieso, na Bolívia, essa realidade atinge em especial os habitantes da região do chaco. ''Mais ou menos 600 mil imigrantes da Bolívia vivem hoje na Argentina e 80% deles saíram do país porque não tinham água para suas agriculturas. São os migrantes hídricos'', disse.
A Bacia do Prata é a segunda maior bacia da América do Sul. Seus três principais rios são o Paraná, Paraguai e Uruguai, que formam o Rio da Prata, ao se encontrarem na Argentina. Para o Brasil, a questão da água é extremamente importante, uma vez que o país é o sétimo país a abastecer o mundo com água e detém 70% do Aquífero Guarani, um dos mais importantes do mundo.


