Forte esquema de segurança afastou risco de resgate
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sexta-feira, 04 de maio de 2001
De Curitiba 
A Polícia Federal do Paraná reforçou ontem a segurança na sede em Curitiba para evitar tentativas de fuga ou de resgate de Marcelo Moacir Borelli, acusado de praticar dezenas de assaltos a carros-fortes e homicídios. Ele foi transferido para o Paraná após liderar um motim em Brasília. Com uma arma feita de sabão, ele e outros três presos teriam exigido a transferência para os Estados onde respondem a processos. Ele é preso de São José dos Pinhais e tem que ficar em Curitiba, defendeu o advogado criminalista Júlio Militão.
Borelli foi preso em outubro do ano passado, em São Luis do Purunã (29 km de Curitiba). Ele viajava na cabine de uma carreta Volvo, de São José dos Pinhais, quando foi abordado pela polícia. O assaltante estava com mandado de prisão decretado pela Justiça Federal. Os policiais teriam apreendido o caminhão e forçado Borelli a levá-los até a casa onde estava abrigado no Jardim Urano, na Região Metropolitana de Curitiba.
Foram apreendidos na operação dois caminhões que seriam usados para transporte de armas, 30 celulares e radiocomunicadores, uma metralhadora de combate antiaéreo, quatro fuzis e submetralhadoras, coletes da Polícia Civil e fitas de vídeo. Ele foi preso e autuado em flagrante em Curitiba por tráfico de armas.
Numa das fitas, Borelli aparece torturando uma menina de três anos de idade. A garota é submetida a espancamento, recebe esguichos de água no rosto, é pisoteada e sufocada com panos. Borelli joga desodorante nos olhos da menina e lhe dá choques elétricos. O caso está sendo analisado pela Justiça de São José dos Pinhais.
Teriam participado da tortura Maria Ilda de Carvalho (tia de Borelli), Maria Cristina Pereira Marques (amante de Maria Ilda) e Zenice Pires (amante de Borelli e mãe da garota). A fita teria sido gravada entre os dias 10 e 11 de setembro do ano passado. Mas os flagrantes são considerados nulos pelo advogado de Borelli. Foram provas adquiridas de forma irregular. A prisão e apreensão das fitas e materiais na casa onde estava Borelli foram feitas sem mandado judicial. Vou pedir a nulidade do processo, disse.
A segurança de Borelli foi garantida por policiais militares da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) e da Companhia de Choque. Agentes federais de Brasília do Grupo de Operações Táticas Especiais (Gote) também estiveram em Curitiba para evitar o risco de resgate do assaltante. De acordo com o delegado Juliano Maciel, superintendente da Polícia Federal, o assaltante ficou preso em uma cela isolada, com câmeras de monitoramento. (Luciana Pombo)


