Washington, 01 (AE) - O forte comparecimento dos eleitores e os resultados das urnas em duas cidadezinhas que mantiveram a tradição de ser as primeiras a votar nas primárias de New Hampshire animaram nesta terça-feira (01) o senador republicano John McCain e o ex-senador democrata Bill Bradley a levar suas campanhas à presidência dos Estados Unidos às seções de votação durante todo o dia.
McCain e Bradley venceram essas primeiras votações, na qual disputaram cerca de 30 votos com seus rivais, respectivamente o governador do texas, George W. Bush, e o vice-presidente Albert Gore. Ambos tem o apoio das máquinas de seus partidos e são tidos como os nomes mais prováveis para disputar a sucessão de Bill Clinton, em novembro próximo.
O bom comparecimento de votantes alimentou as esperanças de McCain e de Bradley por causa da importância que os eleitores independentes tem em New Hamsphire e de sua inclinação a apoiar os candidatos considerados favoritos.
Essa tendência poderia se revelar uma boa notícia especialmente para McCain, que fez campanha durante meses no estado, liderava as pesquisas antes da votação e vinha, de acordo com várias sondagens, atraindo maior número de eleitores independentes.
Num possível sinal de que teria uma noite difícil, depois do anúncio dos resultados, que era esperado para depois da meia-noite, horário de Brasília, no final da manhã Bush desistiu de buscar votos na porta das seções eleitorais e anunciou que passaria o resto do dia em seu hotel, em Manchester, assistindo a filmes com sua mulher e as duas filhas.
Do lado democrata, Gore e Bradley caçaram votos durante todo o dia. Mas algumas horas antes do encerramento do pleito o ex-senador de Nova Jersey deu uma declaração que foi imediatamente interpretada como um sinal de derrota. Bradley, que estava atrás de Gore nas pesquisas antes da votação, disse estar preparado para pressões que sofrerá de seus correligionários democratas para desistir da disputa se perder para o vice-presidente.
"Mas não farei isso e levarei minha campanha adiante", afirmou, provavelmente ensaiando a resposta que teria de dar mais tarde.
A esperada vitória de McCain em New Hampshire poderá ter um impacto significativo na campanha que está começando na discussão de um tema que marcou todas as disputas presidenciais nos Estados Unidos desde que o republicano Ronald Reagan o colocou no centro de sua vitoriosa plataforma eleitoral em 1980: o corte de impostos.
Filho e neto de almirantes e ex-prisioneiro na guerra do Vietnã, McCain tem sólidas credenciais de conservador. Mas não concorda com as propostas de corte de cerca de US$ 800 bilhões de impostos apresentada por Bush.
O senador disse considerar uma renúncia fiscal dessa magnitude excessiva, perigosa e a condenou como fruto de uma visão antiga de política fiscal entre os republicanos, demasiadamente voltada para os interesses dos ricos e insensível à necessidade de pagar a dívida pública e reforçar os sistemas previdenciário e de seguro de saúde federal para atender a uma população crescente de idosos.
Estudos recentes indicam que McCain interpreta melhor do que Bush o sentimento do eleitorado. Com o país vivendo o mais longo período de crescimento da história e três quartos do eleitorado dizendo que sua situação pessoal é melhor hoje do que há oito anos, não há o clamor que havia na campanha de 1980 por um alívio dos tributos.
Um levantamento conduzido pelo Pew Research Center é ilustrativo. Perguntados se os saldos do orçamento federais previstos para os próximos anos deveria ser usado pelo governo para financiar programas de gastos ou devolvido aos contribuintes sob a forma de uma corte de impostos, 60% optaram pela redução dos tributos federais.
Mas diante de uma pergunta mais específica, que lhes ofereceria a possibilidade de diminuir os impostos ou aplicar o saldo fiscal em investimentos nas áreas de saúde, ambiente, previdência, saúde, luta contra o crime e melhorias na defesa, 66% preferiram a segunda alternativa.