Em razão do atentado na linha de transmissão de Itaipu, diminuiu o fornecimento de energia elétrica para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No horário de pico (das 18h às 20h30), a energia disponível nessas áreas está no limite do consumo e não estão descartados cortes no fornecimento. Segundo o ministro Raimundo Brito (Minas e Energia), ‘‘continua o risco de desabastecimento nos Estados dessas três regiões (São Paulo, Minas Gerais, Rio, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás).
No horário de pico, a energia disponível para o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste está em 41.870 MW (megawatts), enquanto o consumo médio nesse horário é de 41.600 MW. A folga entre a oferta de energia e o consumo médio no horário de pico está, portanto, em 0,6%, enquanto o normal seria entre 4% e 6%. ‘‘Estaremos trabalhando em uma situação absolutamente delicada, com pouca folga no sistema’’, disse o ministro.
Brito pediu que a população economize energia ‘‘para que não venham a acontecer cortes’’. ‘‘Eu apelo para que a população nos ajude a enfrentar essa situação poupando energia, principalmente entre 18h e 20h30.’ O ministro descartou antecipar o horário de verão - quando os relógios são adiantados em uma hora, diminuindo o consumo de energia -, marcado para entrar em vigor no dia 11 de outubro.
O ministro classificou o atentado na torre de Itaipu como uma ‘‘ação estúpida’’ praticada por ‘‘alguns facínoras’’. ‘‘Ainda que tenham como alvo atingir o governo, não podemos esquecer que atingiram o direito de milhões de brasileiros do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.’
Brito recusou-se a comentar quais seriam os suspeitos e a motivação do atentado que levou à explosão da torre. ‘‘Esse é um trabalho para a Polícia Federal’’, disse.
Ele apenas comentou que o ‘‘atentado’’ foi planejado para parecer um acidente provocado por problemas climáticos. ‘‘Aconteceu em um fim-de-semana com muita chuva e em uma linha que já tinha sido atingida anteriormente por vendavais’’, disse.
Para minimizar a queda no fornecimento de energia, foram suspensas manutenções em equipamentos da malha principal que implicavam redução de disponibilidade de geração ou transmissão.
Também foi elevada ao máximo a geração de todas as unidades térmicas disponíveis no horário de pico. A Eletrosul - que abastece a região Sul - também deverá comprar energia da Argentina no horário de pico até que seja normalizado o fornecimento.
A direção de Furnas Centrais Elétricas está fazendo um trabalho de monitoramento, com previsões diárias de consumo e disponibilidade de energia, para evitar possíveis blecautes nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Esse estudo terá de ser feito até pelo menos quinta-feira, quando deve ficar pronta a reconstrução da torre de transmissão do sistema de Itaipu.
O presidente de Furnas, Luiz Laercio Simões Machado, garantiu que ontem não haveria necessidade de corte no horário de pico, porque a previsão de consumo (41.800 megawatts) era menor do que a disponibilidade do sistema (42.000 megawatts), que está operando com a capacidade máxima. O pico de consumo do ano nas três regiões foi de 42.236 megawatts, na sexta-feira passada. Machado disse, porém, que a cada dia será preciso ‘‘renovar a expectativa de consumo’’. Por isso, ele voltou a fazer um apelo à população para que economize energia.

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