Jundiaí, SP, 09 (AE) - As empresas fornecedoras estão recusando-se a entregar aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) marcapassos pelo preço de R$ 2,2 mil, estabelecido pelo governo federal. A denúncia é do presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), regional de Jundiaí
Wagner Ligabó. Ele afirma que os fornecedores estariam cobrando R$ 4,4 mil pelos aparelhos. De acordo com a Assessoria de Imprensa do Ministério da Saúde, a informação irritou o ministro José Serra, que vai discutir o assunto amanhã com representantes de fornecedores de equipamentos e materiais cirúrgicos.
Ligabó informa que só no Estado de São Paulo a fila de espera do marcapasso deve variar entre 300 a 400 pacientes. No Brasil são implantados mil aparelhos ao mês. Só em Jundiaí, o médico diz que existem cinco pacientes em estado crítico, entre a vida e a morte, à espera de uma definição do Ministério da Saúde sobre o reajuste da tabela de pagamentos.
Segundo o cardiologista, hoje já houve paciente retirado da mesa de cirurgia por falta de pagamento de prótese no novo valor. O Brasil depende dos equipamentos importados. "Até bolsas de sangue e outras próteses começaram a faltar em hospitais pequenos. Só hospitais grandes é que têm estoques", informa. De acordo com a Abimo, entidade que reúne fornecedores de próteses, desde 1994 os preços dos marcapassos, eletrodos cardíacos implantáveis, eletrodos cardíacos temporários e introdutores não sofreram reajuste. O setor decidiu cancelar as atuais condições firmadas com o SUS, aplicando a nova tabela. Se não houver acordo, não há entrega dos marcapassos. Uma alternativa tem sido consultar os familiares para pagar a diferença.
O gerente da empresa Biotronik, Daniel Santos, informou que o ministro da Saúde está ciente dos problemas e até agora não deu resposta. Segundo nota distribuída pela Biotronik, líder em marcapassos no País, os preços dos produtos estão inalterados desde 94, apesar das desvalorizações cambiais ocorridas até o fim de 98. Pela nova tabela, os aparelhos de marcapasso vão de R$ 4,4 mil a R$ 5,6 mil. Já os eletrodos vão de R$ 220 a R$ 750. Daniel Santos informou que o SUS congelou os aparelhos em R$ 0 85, em 1994.
A situação tornou-se tão crítica, que hoje o Estado do Piauí enviou uma carta ao ministro Serra informando que está sem produtos para atender os cardíacos. Também estão em situação delicada Goiás, Minas, Bahia e Maceió.
Hoje, em Brasília, o ministro José Serra chegou a ligar para um dos fornecedores de marcapasso para questionar aumentos no produto. Serra também ligou para o secretário de Acompanhamento e Preços, Cláudio Considera, para falar do assunto. A reunião de hoje já estava prevista. Ela foi marcada depois de um primeiro encontro em São Paulo, no sábado.

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