Recife, 30 (AE) - Os fornecedores de cana-de-açúcar do Nordeste prometem paralisar o Porto de Suape nesta quarta-feira e não iniciar a moagem da cana, que ocorre em setembro, se o governo federal mantiver a suspensão do repasse do subsídio para o setor. De Suape, saem diariamente cerca de 100 caminhões carregados com combustível para toda a região.
As decisões foram tomadas em assembléia da categoria, hoje à tarde, na sede da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, quando ficou acertada a realização de uma carreata pelas ruas da cidade, amanhã (31) pela manhã, com a participação de representantes dos estados do Rio Grande do Norte a Sergipe.
Pelo menos 300 tratores e caminhões serão usados no percurso até o Palácio do Governo, onde uma comissão pretende entregar um documento ao governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), visto pelo movimento como aliado.
"Se até o dia 10 o Programa de Equalização da Cana, suspenso há quatro meses, não tiver sido retomado, a cana será cortada e colocada nas estradas", advertiu o presidente da Associação dos Forcedores de Pernambuco, Manoel Antonio Soares Neto. "Sem o subsídio, que existe há 60 anos, a atividade é inviável economicamente."
O subsídio é considerado indispensável diante da baixa produtividade da cana no Nordeste. Devido à topografia e ao clima, a região produz uma média de 55 toneladas por hectare, contra 100 toneladas/hectare do Sul.
O movimento dos fornecedores tem o apoio dos empresários do setor, dos canaveiros e dos prefeitos dos municípios prejudicados com a suspensão do Programa, que repassava, através da Agência Nacional de Petróleo (ANP), R$ 5,07 por tonelada de cana produzida na região.
A suspensão foi sugerida à ANP pelo Ministério Público depois de denúncias de fraudes feitas por um ex-fornecedor. "As suspeitas não foram confirmadas, um relatório da ANP não achou fraude, mas mesmo assim o subsídio continua suspenso", afirmou o presidente da Associação dos Fornecedores, que culpa "o genro de Fernando Henrique" (David Zilberstein, presidente da ANP) pelo prejuízo causado ao setor que emprega no Nordeste em torno de 150 mil trabalhadores.

mockup