Fórmula mata mulher e médico vai preso
A vendedora Luciani Zanutto de Oliveira da Silva morreu em 2001, depois de ingerir uma fórmula de emagrecimento com derivados de anfetamina e substâncias diuréticas. A fórmula foi receitada pelo médico endocrinologista José Carlos da Costa, de Londrina.
O que a vendedora queria era emagrecer depois de ter passado por uma gestação. Antes de morrer, de complicações cardiovasculares decorrentes da intoxicação por anfetamina, conforme laudos da perícia, Luciani sofreu com efeitos colaterais do medicamento - nervosismo, irritabilidade, dores abdominais e insônia.
O médico endocrinologista José Carlos da Costa foi preso no início de abril deste ano em seu consultório. Ele foi denunciado pelo Ministério Público (MP) por ter provocado a morte da vendedora e é acusado de prescrever medicamentos potencialmente fatais. Além do médico, dois farmacêuticos responsáveis pela manipulação dos medicamentos foram denunciados pela promotoria por homicídio doloso (com intenção de matar).
Outros dois médicos da cidade também são investigados por receitar fórmulas para emagrecer que trazem risco à vida de pacientes. Um inquérito policial apura a denúncia de que só nos dois primeiros meses do ano 106 pacientes de Costa teriam recebido a mesma receita que resultou na morte da vendedora.
Segundo o presidente do Conselho de Farmácia do Paraná, Dennis Armando Bertolini, o órgão está elaborando um documento, em conjunto com o Conselho Federal de Medicina, para orientar médicos e farmacêuticos sobre a prescrição de fórmulas de emagrecimento. A anfetamina só pode ser prescrita de forma controlada, para ser usada no período máximo de três meses. As concentrações variam conforme o subproduto: 25 miligramas (mg) de anfepramona três vezes ao dia (ou 75 mg no total), 3 mg de mazindol por dia, ou 20 a 25 mg de femproprorex por dia.
O diretor do Conselho Regional de Medicina (CRM) em Londrina, Álvaro Luiz de Oliveira, informou que foram abertos processos de sindicância no órgão contra Costa e os outros dois médicos que ainda são investigados. O objetivo é esclarecer e apurar a gravidade dos fatos. As penas do CRM vão desde uma advertência até a suspensão da licença que permite o exercício da medicina. Denúncias contra médicos podem ser feitas no CRM.(C.P.)





