Fórmula do governo desagrada a usuários Arquivo FolhaMuniz: reajuste reforçará manifestações Lúcio Flávio Moura De Londrina O presidente da Associação dos Usuários das Rodovias do Estado do Paraná, Paulo Ferreira Muniz, interpretou como ‘‘um equívoco’’ a fórmula encontrada pelo governo para amenizar o impacto político dos reajustes do pedágio. Fontes do Palácio Iguaçu informaram anteontem à Folha que a alta será diferenciada: 116% para carros de passeio e 76% para caminhões. ‘‘O governo conseguiu desagradar às duas partes. Os caminhoneiros não podem estar contentes com um aumento de 76%, quando a inflação não passa de um dígito e os ganhos salariais muitas vezes com variação próxima de 0% e tampouco o usuário comum, que deve estar se achando discriminado só por não ter sistemas organizados de defesa de seus direitos, como os caminhoneiros’’, afirmou. Muniz acredita que o reajuste, que poderá entrar em vigor no dia 27, intensificará as manifestações contrárias ao modelo de rodovias pedagiadas, dando força política a associação que preside. ‘‘As pessoas acabam percebendo que estão pagando mais um tributo oneroso, e o que é pior, para grupos privados’’, acredita. A associação defende a suspensão dos contratos vigentes, a criação de uma agência reguladora tripartite (composta por representantes do governo estadual, usuários e concessionárias) e uma discussão ampla em torno da questão, incluindo o debate dos interesses comunitários e regionais, antes de se definir um outro modelo para as concessões. ‘‘A sociedade já pagou os custos destas estradas e não pode pagar novamente. Os usuários é que devem decidir quais melhorias devem ser realizadas’’, diz Muniz.