Campinas, SP, 02 (AE) - Formigas urbanas podem ser agentes importantes na transmissão de infecções hospitalares, mostra pesquisa divulgada pela Universidade Estadual Paulista, UNESP, campus de Rio Claro. Estudos feitos em 37 hospitais do Sudeste do País mostraram índice médio de infestação de formigas de 61%, com picos de até 73% da área total de cada hospital. "Geralmente as formigas encontradas em ambiente hospitalar portam bactérias altamente resistentes", alerta Odair Correa Bueno, coordenador da pesquisa no Centro de Estudo de Insetos Sociais, CEIS (http://www.rc.unesp.br/ib/ceis/ceispor.html).
Normalmente as formigas preferem viver em ambientes limpos e aquecidos, mas elas transitam e se alimentam em cestos de lixo ou predam outros insetos de hábitos menos higiênicos entrando, então, em contato com bactérias e outros agentes patogênicos. Algumas espécies são muito pequenas e entram até mesmo nos locais mais protegidos. É o caso de uma das espécies comuns em hospitais, a formiga-fantasma (Tapinoma melanocephalum). Com de 1,3 a 1,5 milímetros, cabeça escura e corpo transparente, a formiga-fantasma é capaz de se multiplicar rapidamente e não tem predadores naturais, pois é uma espécie exótica, que chegou ao País com carregamentos importados de alimentos.
Outra espécie muito comum, também "importada" e sem predadores, é a formiga-louca (Paratrechina longicornis), assim chamada por que anda em semicírculos. Com antenas e pernas longas, ela prefere os berçários e Unidades de Terapia Intensiva
UTIs, devido a procedimentos médicos em que são utilizados soros com alto teor de glicose. Ambas podem infectar equipamentos e materiais.
No Hospital Santo Amaro, no Guarujá, São Paulo, um estudo feito pelo CEIS em 1996 revelou 151 pontos de infestação de formigas. Após um programa de controle sistemático, em 1998, o número de pontos havia caído para 55. No mesmo período, o índice de infecção hospitalar passou de 3,2% para 2,8%. "Ainda não há, no Brasil, uma estatística sobre a participação das formigas no índice de infecção hospitalar, mas, nos Estados Unidos, este índice corresponde a 7%", diz Bueno.
Segundo ele, a melhor maneira de combater as formigas é identificar seus hábitos, depois usar as operárias para levar para as colônias alimentos contaminados com formicidas específicos. Há também, necessidade de monitoramento constante, pois a reinfestação é frequente e ocorre, em geral, com formigas de outras espécies.
Além da avaliação direta dos hospitais, a equipe - formada por dois pesquisadores do CEIS, dois biólogos da UNESP-Botucatu e um pós-graduando - analisou materiais colhidos em 400 pontos diferentes de hospitais. Foram encontradas formigas em 64 destes pontos. E um estudo microbiológico revelou que estas formigas portavam 7 espécies de bactérias, entre as quais as mais comuns foram Enterobacter e Staphylococcus aureus, responsáveis por infecções urinárias e respiratórias.
A descrição de algumas destas espécies de formigas e seus hábitos está no livro "Insetos e outros invasores de residências", de Francisco Mariconi, Ed. FEALQ, 1999. As instruções para monitoramento e combate estão num manual prático do CEIS, que em breve estará parcialmente disponível na Internet.
Maiores informações pelo telefone (19) 534 8523 ou do endereço eletrônico [email protected].

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